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Diálogos Capitais

Fórum Brasil

Dino defende articulação pelo estado democrático

por Dimalice Nunes — publicado 18/03/2016 18h47, última modificação 18/03/2016 19h10
Governador do Maranhão vê com preocupação o crescimento de nuances fascistas e defende que processo de impeachment seja conduzido dentro da legalidade
Gustavo Scatena
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Flavio Dino e Claudio Lembo no evento de CartaCapital

O governador do Maranhão, Flávio Dino, defendeu hoje uma articulação em defesa do estado democrático de direito como forma de reestabelecer a estabilidade política. A partir desta reconquista, o governador defende a construção de uma nova agenda para estimular a retomada do crescimento econômico.

Na sua visão, o modelo de crescimento via aumento do consumo se esgotou e é preciso que agora ele venha da igualdade de oportunidades, pela educação, e na equidade tributária. "Ainda sequer falamos de fato sobre imposto sobre herança e grandes fortunas", afirmou. Dino participou hoje do Diálogos Capitais Fórum Brasil: Como retomar o crescimento, realizado por CartaCapital.

Durante sua fala, Dino fez um diagnóstico ponto a ponto da situação atual, afirmando que o crescimento das nuances fascistas é preocupante. Para enfrentar esse quadro, o governador defende a contenção dos grupos violentos por parte do estado, que o processo de impeachment seja conduzido dentro da legalidade e da constitucionalidade e que os abusos judiciais sejam contidos.

"No processo do impeachment a acusação se restringe apenas às pedaladas, mas a comissão já está abençoando as delações. E o Judiciário não pode agir de acordo com os sentimentos das ruas", enfatizou.

O advogado e ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, é mais contundente e classificou como "patético" o atual momento político do Brasil. "Está se repetindo o que a oligarquia sempre fez, que é se incomodar com a ascensão de quem estava embaixo", disse. Lembo falou também sobre a desigualdade da informação, onde só um grupo fala o que quer e há uma desinformação total para a formação da opinião pública.

Lembo criticou ainda o Ministério Público que, na sua opinião se tornou um "rei absolutista", que faz o que quer sem responder por nada. "O Judiciário tomou aspectos messiânicos. O Brasil perdeu toda a compostura." O ex-governador falou também sobre as forças que hoje tentam derrubar o governo e criticou especialmente a oligarquia paulista, que "não quer progresso social". Por fim, Lembo falou da fragilidade dos partidos e da falta de ideologia. "É difícil viver nesse momento", desabafou.

Para o economista e colunista de CartaCapital Luiz Gonzaga Belluzzo a crise abre uma compreensão das condições atuais de resistência do estado democrático de direito e expõe as raízes profundas da desigualdade e da rejeição ao outro.

Para Dino o atual governo tem ainda condições de se sustentar desde que ele não se torne um "alvo fixo", pois é preciso se "movimentar", propor ações e fazer com que a economia ajude a estabilizar a política. Dino pediu ainda a ajuda dos "democratas sinceros" para quebrar o atual jogo do Judiciário e as condições normais possam ser retomadas.

"Mais que possível, é necessário, pois a consequência disso [fim do governo] é muito alta. E sinto falta de um centro político mais equilibrado", afirmou.

Para Lembo, com boa articulação será possível evitar o impeachment. Ele acredita também que uma reação por parte da imprensa e demais instituições internacionais pode ajudar a reverter o quadro, pois o impeachment é sempre uma violência e não pode ser usado como via de um golpe político.