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Delfim Netto: "Temos de fortalecer o Estado brasileiro"

por Márcia Pinheiro — publicado 18/03/2014 12h10, última modificação 06/06/2015 18h09
Segundo o ex-ministro da Fazenda e da Agricultura, o Brasil precisa aumentar a participação na economia mundial
André Luy
Delfim Netto

Ao lado do economista Paul Krugman (e), Delfim Netto (d) participa de evento de CartaCapital sobre o futuro do Brasil

Em sua participação no "Fórum Brasil: Diálogos para o Futuro", o ex-ministro Delfim Netto (Fazenda e Agricultura) disse que o economista Paul Krugman deu a todos uma lição muito interessante. “Temos o ônus e o bônus de estar neste momento. Afinal, se espera um crescimento um pouco maior no Brasil”, afirmou nesta terça-feira 18.

De acordo com o ex-ministro, os mercados são voláteis, “apaixonam-se muito depressa e se desapaixonam também”. Por isso, ser um "queridinho" hoje não significa que continuará sendo amanhã. Ao contrário: “Nós vamos ter de repensar nossa economia. Temos de aumentar participação na economia mundial”, alertou. “Não há nenhuma tragédia iminente. Temos relação dívida bruta/PIB de 60%, isso há dez anos.”

Delfim Netto observou ainda que não há risco de descontrole da inflação, ainda que o Brasil tenha errado com mecanismos de controle de preços.

Por outro lado, ele criticou o fato de o governo controlar as tarifas de energia à custa do Tesouro Nacional. “Não temos ainda o pecado capital de ter dívida em dólar”, disse. “Não devemos esperar nada entusiasmante do exterior.”

E concluiu: “Se quisermos construir nosso desenvolvimento, temos de ter um Estado forte, constitucionalmente constituído, para controlar os mercados.  Devemos pensar os nossos problemas para resolvê-los.”

*Editora da Envolverde, especial para CartaCapital