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Commodities: como agregar valor ao modelo exportador?

por Envolverde — publicado 18/03/2014 18h22, última modificação 18/03/2014 18h41
A estagnação das economias desenvolvidas é alerta para o Brasil, dizem especialistas
André Luy
Mesa sobre commodities no Fórum Brasil

Mesa sobre commodities no Fórum Brasil

Ao abrir o painel "Commodities: Agregar Valor ao Modelo Exportador", parte do evento "Fórum Brasil - Diálogos para o Futuro", promovido por CartaCapital, o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, classificou como “medíocre” o desempenho do comércio mundial nos últimos 12 meses. A economia americana, segundo ele, está na quarta fase de crise. "A recuperação econômica nesse país é muito incipiente."

A Europa, por sua vez, enfrenta a terceira etapa. A China está no primeiro patamar de um longo processo de seu regime de crescimento. "O Brasil, como ‘dependente químico’ da China, precisa se preocupar. O país asiático deve se voltar mais para o mercado interno. O driver não mais será composto apenas pelas exportações. Neste ano, a zona do euro deve crescer 1% - o que não é ruim -; o PIB americano, 2,6%; e a China, em termos anualizados, 5,8%."

Os países desenvolvidos, destino das exportações brasileiras, cresceram nos últimos cinco anos a uma média de 0,7% por ano. Sem a China, os emergentes tendem a crescer pouco. Isso é o retrato da economia global; não é prerrogativa do Brasil. Ele lembrou que a produção industrial sofre com a falta de demanda e excesso de ociosidade no mundo. Em síntese, a dinâmica da economia global mostra que o Brasil não está tão fora da curva.

O problema da balança comercial brasileira nos últimos dois anos é uma questão temporária, diz Barros, dado a larga oferta de commodities. “Não é plausível que tenhamos problemas no balanço de pagamentos”, afirmou.  O país está em transição: desaceleração do setor de serviços e aceleração dos produtos tradables (negociáveis internacionalmente). A previsão é que o índice CRB, que congrega as matérias-primas, caia pouco mais de 2% neste ano, depois do tombo de 8,9% em 2012.

Desequilíbrio. O grande vilão das contas externas atualmente é o petróleo. O déficit foi de 15 bilhões de dólares em 12 meses. A capacidade da Petrobras foi prejudicada pelo envelhecimento da Bacia de Campos (RJ), entre outras razões. Para contrabalançar, a produção da estatal deve aumentar 7% neste ano, o que reduzirá o déficit. Segundo o economista-chefe do Bradesco, o câmbio tende a se acalmar, em razão de uma esperada melhora de confiança do mercado no país. E é este o determinante fundamental para o preço da moeda americana.

Roberto Rodrigues, presidente do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV) e presidente da Academia Nacional de Agricultura, disse que o saldo comercial do agronegócio no ano passado 2013 foi de 82 bilhões de reais. Se não fosse este desempenho, alavancado pelo avanço tecnológico no campo, o País teria um déficit monumental.

Segundo ele, 47% da matriz energética brasileira é renovável, ante a média inferior a 18% no mundo. "E o esforço da agroenergia nesta direção é notável", referindo-se ao etanol, asfixiado pela política de preços adotada para a gasolina pela Petrobras. Rodrigues se queixou ainda da falta de iniciativas governamentais para a promoção de acordos comerciais bilaterais, citando que 40% do comércio mundial se dá hoje por estes acordos.

De acordo com José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o baixo valor agregado das exportações tem uma série de razões, como o sistema tributário “complexo e antiquado”, a infraestrutura inadequada, a carga tributária elevada, a legislação trabalhista e a burocracia excessiva. “Não exportamos preço, mas peso”, disse.

Segundo ele, o aumento da demanda por alimentos tende a crescer, uma vez que há uma grande parcela da população da Índia, por exemplo, que ainda mora no campo. “As pessoas estão aprendendo a comer”, afirma. No mundo, só o Brasil tem área disponível para aumentar a produção de commodities.

 

Márcia Pinheiro, da Envolverde, especial para CartaCapital