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Diálogos Capitais

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Aumento das taxas de energia não é uma tendência, diz secretário

por Elsa Villon — publicado 15/06/2015 16h39
Secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata fala em situação passageira e promete investimentos em novas matrizes energéticas
Greg Salibian
Luiz Eduardo Barata

Luiz Eduardo Barata diz que o governo planeja baratear a geração de energia nas usinas térmicas

O não-aumento da tarifa de energia foi uma das bandeiras de campanha de Dilma Rousseff durante a disputa pela reeleição no ano passado. Desde janeiro deste ano, entretanto, o consumidor recebe a conta de luz mais cara, graças ao alto custo da produção elétrica no País. Para o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata, a situação é passageira.

Durante o evento Diálogos Capitais - Infraestrutura: O Motor do Crescimento, promovido por CartaCapital nesta segunda-feira 15 em São Paulo, Barata prometeu produção de energia por meio de novas matrizes, que devem baratear o custo, também para o consumidor.

Barata negou que a decisão de reduzir a tarifa fosse um erro estratégico. Segundo ele, havia um "desejo real" do governo pela diminuição dos preços, mas as condições climáticas não favoreceram, por terem ido "na contramão dos movimentos de redução da tarifa". "Até a última década, acreditava-se que a matriz energética do País era apenas de origem hidrelétrica. Porém, com as alterações climáticas vividas principalmente a partir de 2013, passou-se a produzir energia prioritariamente de maneira térmica de alto custo, por meio de petróleo e óleo diesel”, destacou. Segundo o secretário, como a necessidade deste tipo de energia deve continuar por algum tempo, o governo fará leilões para contratar energia térmica mais barata, como gás e carvão. 

Além de buscar opções térmicas mais em conta, o governo deve procurar alternativas em termos de matriz energética. “Nos últimos anos, o clima não tem ajudado e é preciso desenvolver outras formas de suprir o setor nos próximos anos”, disse. Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, concorda. Para ele, o foco do governo deve ser no aumento de investimentos e na busca por fontes alternativas de energia. “Temos os modelos eólico e solar como possibilidades, o bagaço da cana, além do lixo urbano, comumente direcionados aos aterros", diz. "Se hoje ele é um problema, o seu uso para fonte de energia é a solução, como ocorre em países como Japão e Estados Unidos.”

Luiz Pinguelli Rosa
Luiz Pinguelli Rosa salientou a necessidade de investimentos em novas matrizes energéticas

Os painéis de captação solar também foram citados e os dois afirmaram que é preciso investir mais na produção e distribuição elétrica dessa modalidade, apesar das despesas elevadas em infraestrutura. Segundo Barata, já há a redução de ICMS da energia solar em estados brasileiros como medida de estímulo não só em captação elétrica, mas também de distribuição do excedente pelo próprio consumidor. Além disso, afirmou o secretário, há proposta em estudo no Ministério da Fazenda para redução de PIS/Cofins para a energia solar. A intenção é estimular investimentos no segundo semestre, com dois leilões voltados à contratação de energia renovável, além do projeto-piloto da matriz solar em reservatórios de usinas hidrelétricas em Balbina (AM) e Sobradinho (BA). 

De acordo com Pinguelli, o Brasil possui ampla vantagem nessa modalidade, ao contrário da energia eólica. “Além da intermitência no fornecimento por meio dos ventos, os atuais modelos de hélices no mercado não são compatíveis ao clima do país. Precisamos tropicalizá-los para que sejam uma alternativa.”

Em relação à energia nuclear, Barata reforçou que é uma possibilidade a ser discutida e, futuramente, mais quatro usinas devem ser construídas. Já o diretor da Coppe discordou em relação ao alto custo de implementação, além dos possíveis danos ambientais. “Embora com desempenho promissor em Angra III (RJ), o que é produzido em decorrência dos reatores é um problema não só para o Brasil, mas no mundo”, destacou.