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Arenas da Copa: O desafio é ampliar o conceito multiuso

por Samantha Maia — publicado 01/04/2014 17h10, última modificação 01/04/2014 19h03
Para executiva, os administradores dos estádios precisam ver os produtores como parceiros do negócio, e não como locatários
Eduardo Freire
Diálogos

No debate, Marcos Aurélio Garcia, Marcos Blanco e Maria Naiclê Silva

Em Salvador

Apesar das objeções aos investimentos em estádios para a Copa de 2014, os administradores dos equipamentos construídos em Salvador, Recife e Natal avaliam positivamente o começo de suas operações. As avaliações foram feitas nesta terça-feira 1º durante o seminário O Futuro das Novas Arenas Multiuso no Nordeste, em parceria da Trevisan Escola de Negócios com a revista CartaCapital.

Segundo os executivos, há uma demanda reprimida de público que pode incrementar seus rendimentos. O desafio está em conseguir atrair essas pessoas e desenvolver novas atividades dentro do conceito multiuso para o qual as arenas foram criadas.

“Somos um ator novo no setor e temos de fidelizar o cliente. Existe uma demanda reprimida que precisa ser captada”, disse o presidente da Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), Marcos Lessa.

A Fonte Nova fechou o seu primeiro ano de operação com 38 jogos e 600 mil torcedores, além de 35 eventos não relacionados ao futebol. Um dos destaques foi a realização, neste ano, do show do cantor Elton John com a presença de 40 mil espectadores. No futebol, porém, é preciso aumentar a média de ocupação.

Essa é uma realidade em todo o país. Segundo Fernando Trevisan, da Trevisan Escola de Negócios, os dez maiores estádios europeus faturam cinco vezes mais que os dez maiores brasileiros. Em média, os jogos no Brasil têm 4,6 mil espectadores, um número baixo no país do futebol. A taxa de ocupação dos campeonatos nacionais foi de 39% no Brasil , frente a 95% na Inglaterra e na Alemanha.

A saída para a captação de um público maior está além da busca de um valor baixo para os ingressos, segundo Eduardo Falcão, diretor da Arena Pernambuco.

Mesmo com a disponibilização de entradas gratuitas em um programa de troca de notas fiscais por ingressos de jogos, Recife viu uma baixa resposta do público. “Apenas 20% dos inscritos fazem a troca pelos ingressos”, conta Falcão.

O executivo acredita que é preciso ter mais campanhas que associem os jogos ao entretenimento familiar.

A adoção do modelo multiuso para as arenas tem justamente o objetivo de tornar esses espaços mais atrativos e ampliar o público de interesse. Ao oferecer um produto diferenciado, é possível captar mais clientes, segundo os executivos. Em Natal, a Arena das Dunas conseguiu sediar 15 eventos corporativos no espaço de 30 dias e tem o resto do ano praticamente contratado. “É preciso ser criativo”, disse o presidente da arena, Charles Maia.

O desenvolvimento dessa criatividade deve se dar em conjunto com produtores de eventos. Segundo a diretora da XYZ Maria Naiclê Silva, “os administradores das arenas precisam ver os produtores como parceiros do negócio, e não como locatários”.

Para a executiva, as arenas multiuso são importantes para direcionar o mercado de eventos culturais para o Nordeste do País, há que o eixo Rio-São Paulo está saturado. As parcerias são importantes também para dividir o risco depois das recentes apostas em grandes shows que se revelaram um fracasso de público. “Estamos cuidadosos”, disse Marcos Blanco, diretor da Plan Music.

“As arenas precisam ser as casas dos torcedores e passar por um processo de profissionalização”, disse o diretor da Brunoro Esportes Business Marcos Aurélio Garcia. Ele elencou uma série de saídas para diversificar as fontes de receitas além de shows, como a atração de outros esporres, eventos religiosos e festas populares. “É preciso ter ousadia para desenvolver os projetos.”