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Diálogos Capitais

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A seca não é mais um problema do agreste

por Rafael Nardini — publicado 07/05/2014 12h40, última modificação 07/05/2014 16h00
Izabella Teixeira, titular do ministério do Meio Ambiente, diz que crise paulista coloca segurança hídrica em debate nas grandes cidades
Rodrigo Ono
izabella teizeira

Segundo Izabella Teixeira, momento pede competência e transparência

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quarta-feira 7 que a situação crítica do sistema Cantareira, em São Paulo, colocou o debate sobre a segurança hídrica na agenda nacional, passando a ser um assunto diário também das grandes cidades, e não mais apenas uma imagem distante do agreste nordestino. “De repente tenho a imagem do homem da seca e isso é comigo que moro aqui nos Jardins (região nobre na zona sul de São Paulo). As pessoas vão precisar perceber como é que isso afeta a qualidade de vida. Estamos falando de meio ambiente junto à qualidade de vida. Não estamos falando de salvar a floresta amazônica”, disse.

O sistema Cantareira, responsável por parte do abastecimento para milhões de moradores da Grande São Paulo, registrou 9,8% de nível de água, o pior índice histórico para o reservatório. O momento, de acordo com a ministra, pede serenidade, competência e transparência para informar a sociedade sobre as decisões tomadas. Ela ressaltou, no entanto, não caber ao ministério avaliar se há ou não a possibilidade de racionamento, já que o governo federal, diferentemente do que o ocorre com o sistema elétrico, por exemplo, não é responsável pela distribuição de água, atividade outorgada aos estados. “A situação requer um olhar estratégico por parte da população e por parte dos gestores dos recursos hídricos de alocação e de uso eficiente dessa água”, opinou. A ministra não crê em dificuldades técnicas para que a Sabesp implemente o uso do chamado volume morto do sistema Cantareira. “Não tem nada de assombroso. É uma solução técnica que o Brasil já adotou no Ceará, em 1996”.

Em sua fala, Izabella fez questão de lembrar os fenômenos meteorológicos e climáticos que enxugaram o Cantareira, evitando citar responsabilidades políticas e lembrou a proximidade entre as entidades paulistas e do governo federal. “Tivemos um verão com baixíssimas chuvas. Isso frustrou um reservatório que tinha mais de 50% no ano passado em função de um comportamento atípico de chuvas. É uma situação nunca vista”.

A conta vem primeiro

Pouco antes, durante sua fala na abertura do seminário Diálogos Capitais: Resíduos Sólidos – Embalagens pós-consumo, Izabella citou as dificuldades de transformar a agenda ambiental em projetos e convocou empresários, entidades de classe e a população em geral para participar do processo decisório e formular um novo processo de governança ambiental para o País. Ela comemorou a possibilidade de abertura de diálogo com cooperativas de reciclagem e a garantia de que eles participem das mesas de negociações junto aos empresários e o governo. “O Roberto (Laureano, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis) é o catador mais cheiroso que eu conheço”, brincou, para arrematar em seguida. “Ministro não tem poder. Ministro do Meio Ambiente é um grande sedutor. Demorei para aprender isso. Ele precisa convencer as pessoas a dialogar com o futuro sendo que você paga a conta primeiro”, disse.

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