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Infraestrutura

“A palavra crise não faz parte do setor portuário”

por Dimalice Nunes — publicado 24/02/2016 13h06, última modificação 24/02/2016 16h18
O ministro Helder Barbalho aposta no leilão de concessão de portos do Arco Norte para levar eficiência logística à região
Gustavo Scatena
Helder Barbalho

Barbalho busca transmitir mensagem de otimismo

O ministro da Secretaria de Portos, Helder Barbalho, afirmou nesta quarta-feira 24 que a palavra "crise" é destoante do setor portuário. “É uma palavra proibida”, disse, em tom otimista.

O ministro sustenta o bom humor do setor com o crescimento de 70% no volume de cargas movimentadas de 2003, primeiro ano do governo Lula, a 2015. Até 2042, ano de vencimento dos primeiros contratos de concessão assinados, a expansão projetada é de 113%. Barbalho participou nesta quarta do mais recente evento dos Diálogos Capitais, que teve como tema Setor Portuário: Desafios e Oportunidades, promovido por CartaCapital.

No entanto, o ministro reconhece que a projeção só se concretizará se os investimentos específicos nos portos forem acompanhados de uma expansão coordenada de todos os modais de transporte.

"Há um anseio por parte do setor privado para que se chegue ao porto de forma eficiente." Além disso, diz o ministro, é preciso manter o bom ambiente de negócios para garantir esses investimentos. Assim, afirma, é possível assegurar o interesse do investidor e reafirmar o protagonismo do setor portuário nas exportações brasileiras. 

Neste sentido, a secretária executiva do Ministério dos Transportes, Natália Marcassa, tambérm procurou passar uma mensagem otimista. Segundo ela, o termo crise destoa da realidade do setor logístico como um todo. Ela trouxe ainda dados que mostram uma coordenação de ações entre os modais rodoviário e ferroviário, que são de responsabilidade da pasta, com o portuário. "Há um plano único de projetos casados, organizados e maturados. Não há falta de planejamento", disse.

Marcassa reafirmou o compromisso do governo de desenvolver rodovias e ferrovias especialmente no Norte do País, como a BR-163 (Sinop/Porto de Miritituba), para fornecer todos os modais logísticos necessários para elevar a eficiência no escoamento da produção na área, especialmente de grãos e fertilizantes. "Queremos que o Brasil seja eficiente também da porteira para fora." 

Arco Norte

O foco atual das ações do governo para melhorar a logística do País é o Pará, estado do ministro Barbalho. No próximo 31 de março será realizado o leilão de seis terminais portuários no estado. A concessão abrange duas áreas em Santarém, três em Outeiros e uma em Vila do Conde, já oferecida na rodada de dezembro, mas sem lances.

Natalia Marcassa
Para Natália Marcassa, a secretária-executiva do Ministério dos Transportes, País precisa buscar eficiência interna e externa

Após conversas com investidores, foram feitos ajustes no prazo para pagamento de outorga – de 100% à vista para 25% no ato e o restante em cinco anos – e no prazo entre a publicação do edital e leilão, de 40 para 60 dias. "Estamos absolutamente confiantes de que haverá pleno sucesso no leilão de áreas do Arco Norte", disse o ministro.

Segundo dados da secretaria, portos na região Norte reduziriam em 46 dólares por tonelada os custos com o transporte dos grãos produzidos nas regiões Norte e Centro-Oeste. Hoje, esses grãos cruzam o País rumo aos portos de Santos e Paranaguá.

Para promover os lotes a potenciais investidores, Barbalho participará de eventos em Belém (PA) e Cuiabá (MT) ao longo de março e um evento nos Estados Unidos está sendo negociado.

Porto de Santos

Helder Barbalho anunciou no evento a assinatura de aditivo a contratos com a Rumo Logística para expansão das operações da companhia no porto de Santos (SP). O aditivo, assinado na terça-feira 23, representará investimentos de 308 milhões de reais da empresa até o fim de 2018, com aumento da capacidade de armazenamento, capacidade de recepção e embarque de mercadorias. 

Segundo a Secretaria dos Portos, o aditivo unifica os três contratos da Rumo com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp) e amplia a concessão, que venceria em 6 de março deste ano, para março de 2036. A empresa passa a incorporar mais mil metros quadrados no porto de Santos, que se somam aos 117,4 mil metros quadrados já sob controle da empresa.