
Por trás da fachada sóbria e de filhos e netos esconde-se a cobiça sem piedade do jovem yuppie que celebrava sem pudor os lucros predatórios de sua empresa. Foto: Win McName/Gettyimages/AFP
Desde o início das campanhas dos pré-candidatos republicanos, no primeiro semestre de 2011, a maioria deles teve não seus 15 minutos, mas 15 dias ou mais de fama como um dos favoritos na disputa pela vaga de candidato republicano à Presidência. Mas o único a se manter consistentemente nos primeiros lugares foi Mitt Romney, visto desde o início como o candidato main-stream, o republicano cujo perfil combina moderação, sensatez, currículo e popularidade nas doses mínimas indispensáveis para ter viabilidade junto aos eleitores independentes e apresentar um desafio efetivo à reeleição de Barack Obama.
Com exceção de John Huntsman, cujo perfil era próximo de Romney, mas menos conhecido, os demais rivais pro-curaram se apoiar na militância radical do Tea Party, buscando superar uns aos outros em populismo xenófobo, ataque a causas sociais e ambientais, ultraconservadorismo e militarismo – nesse último item, com exceção do exótico Ron Paul, que ao menos teve a coerência de combinar o fanatismo libertarian pela não intervenção de Washington em questões educacionais, sociais e de saúde pública do próprio país com a não intervenção na soberania de outras nações.
Flutuações momentâneas em pesquisas de opinião e sucessos temporários em estados pouco representativos ou em setores restritos do eleitorado foram infladas pela mídia. Fosse por esta ter uma agenda política francamente ultraconservadora, como a Fox News, em cuja folha de pagamento constam como comentaristas políticos vários dos -candidatos mais à direita (inclusive Rick Santorum, Mike Huckabee, Newt Gingrich e Sarah Palin), fosse simplesmente para tentar atrair audiência com injeções de emoção e expectativa artificiais no jogo viciado da política estadunidense.
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