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Uma transicão delicada

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 08/03/2013 11h20, última modificação 08/03/2013 11h20
Hugo Chávez lega ao sucessor muito entusiasmo popular. E também uma situação econômica difícil de administrar sem seu carisma

Quem acompanhou o pronunciamento do vice-presidente Nicolás Maduro ao anunciar, do palácio presidencial de Miraflores, o agravamento da infecção de Hugo Chávez, às 13h25 (hora local) da terça-feira 5, não pôde deixar de sentir que o país estava sendo preparado para o falecimento no mesmo dia ou no seguinte. Maduro insistiu em que a infecção era combatida e o presidente continuava “lúcido e apegado à vida”, mas admitiu que aquelas “eram as horas mais difíceis” e prometeu outro informe em breve. Quando retornou à tevê e à internet, quatro horas depois, foi para anunciar a morte do comandante. Segundo seu relato, isso acontecera uma hora antes (16h25 de Caracas), enquanto estava no hospital para conversar com os médicos.

Conforme assinalou CartaCapital há duas semanas, o retorno de Hugo Chávez a Caracas, em 18 de fevereiro, foi seguido de sinais de que, dessa vez, sua recuperação era muito duvidosa. O mais inequívoco foi a divulgação no dia 24, por um jornalista chavista e ex-integrante de seu governo, de pesquisas sobre uma possível disputa eleitoral entre o líder oposicionista Henrique Capriles e Maduro. Àquela altura, o vice garantia ter mantido na véspera uma reunião de trabalho de cinco horas com Chávez e alguns ministros e uma enfermeira declarara que o comandante entrara caminhando no hospital, “valoroso e voluptuoso como sempre”.

Cabia o ceticismo quanto a essas últimas afirmações, dada a falta de imagens que as comprovassem. Eram pouco críveis e interessava ao governo simular que o presidente estava em condições de governar, pois era constitucionalmente irregular ter iniciado seu quarto mandato sem prestar o juramento de posse. A legitimidade do governo estaria comprometida se ele se mostrasse definitivamente incapacitado.

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