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Tombini e o rentismo

por Redação Carta Capital — publicado 05/04/2013 16h06, última modificação 05/04/2013 16h06
A inflação preocupa. O BC tenta resistir às pressões do mercado e evitar uma alta da taxa básica em abril
Tombini

Batalha. O presidente do BC atua para controlar os ânimos. Conseguirá? Foto: Pedro Ladeira/ AFP

Por André Barrocal

O Banco Central terá de tomar uma das decisões mais difíceis do governo Dilma Rousseff no dia 17. A inflação está em níveis incômodos desde setembro, mas a economia continua sem o vigor de outros tempos. Nesse cenário, deveria o BC subir a taxa básica de juros e sacrificar o crescimento com o objetivo de segurar os preços? Ou deveria mantê-la, pois a inflação está alta, ainda dentro do limite máximo da meta imposta por Brasília, e evitar esfriar de vez o PIB?

O quadro tem feito a equipe econômica se virar em busca de soluções para tornar a elevação da taxa o último remédio contra as remarcações de preços. O governo cortou impostos da cesta básica e de empréstimos à compra de máquinas e equipamentos, negociou o adiamento dos reajustes de passagens de ônibus, antecipou a redução da conta de luz, prorrogou a isenção do IPI dos automóveis (e pode fazê-lo no caso de geladeiras, fogões etc.). As medidas contiveram alguns preços, causaram impacto positivo nos índices de inflação e estimularam a oferta de produtos, mecanismo capaz de conter as pressões altistas de vários produtos.

Apesar dos esforços, digamos, heterodoxos, o BC sinaliza: nada o impede de elevar a Selic nos próximos meses. Em aparições públicas de seu presidente, Alexandre Tombini, e em documentos recentes, a diretoria expôs de forma mais clara preocupações com a alta generalizada dos preços. As autoridades monetárias creditam o fato de o índice ter resvalado o teto da meta (6,5% ao ano) em 2012 a um choque nos preços internacionais dos alimentos e à alta do dólar. Descobriram, porém, algo desagradável. A inflação espraiou-se e agora atinge quase 70% das categorias de produtos presentes na composição dos índices. Estima-se que, até junho, o índice acumulado em 12 meses fica acima dos 6,5%. Em audiência pública no Senado na terça-feira 2, Tombini resumiu a inquietação: “A inflação está sob controle, mas encerra riscos mais à frente”.

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