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Realidade e intuição

por Orlando Margarido — publicado 23/03/2012 11h59, última modificação 23/03/2012 11h59
O diretor de fotografia Walter Carvalho avança no território documental no qual se formou
Raul

Reinvenção. O roqueiro, revisto pelo diretor em Raul - O Início, o Fim e o Meio

Quando O Artista começou a angariar prêmios pelo mundo, Walter Carvalho ligou para o diretor José Henrique Fonseca e lhe disse, divertindo-se: “Está vendo? Nós deveríamos ter feito o seu filme mudo também”. A brincadeira dava conta de Heleno, a cinebiografia dramatizada do jogador Heleno de Freitas prevista para estrear dia 30 e na qual Carvalho assina mais uma de suas caprichadas fotografias em preto e branco, sua marca distintiva no cinema nacional. No caso, foi o diretor de fotografia quem convenceu o realizador a não optar pelo colorido. Inicialmente, pela razão objetiva de ser um filme de época levado entre os anos 1940 e 1950. Depois, por uma justificativa subjetiva, assume Carvalho. “Sou torcedor do Botafogo, time do Heleno, e logo vi como aquelas faixas preto e branco oficiais na camisa do clube poderiam ser valorizadas no registro sem cor.”

Esse paraibano botafoguense radicado no Rio de Janeiro, pai de flamenguistas, entre eles o também fotógrafo de cinema Lula Carvalho, conquistou o direito de ser ouvido e respeitado nas decisões finais de um projeto cinematográfico. Mas também sabe acolher o desejo de um diretor com o mesmo empenho e tem se servido das experiências no set para avançar ele mesmo, aos 64 anos, no ofício da direção. “Serei sempre um diretor de fotografia que eventualmente dirige”, prossegue em entrevista a CartaCapital.

O passo mais recente está nas telas desde a sexta 23. Raul – O Início, o Fim e o Meio, documentário sobre Raul Seixas, é o terceiro longa-metragem-solo de Carvalho, além de duas codireções. O convite partiu de Jorge Peregrino, ex-executivo da Paramount, no momento em que Carvalho estava na ilha de edição para montar Budapeste, seu filme anterior baseado em Chico Buarque. A mosca picou-o, sem saber naquela altura o porquê, e o fotógrafo aceitou, um tanto por intuição. “Gosto do Raul como tantos outros brasileiros, mas só fui enxergar no meio do processo do filme que eu havia vivido as mesmas coisas que ele lá na Bahia. Se ele viu muitas vezes Balada Sangrenta, eu ao menos vi algumas.”

*Leia matéria completa na Edição 690 de CartaCapital, já nas bancas

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