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Que verdade é essa?

por Leandro Fortes — publicado 05/04/2013 16h07, última modificação 05/04/2013 16h07
A comissão chamada a desenterrá-la até agora não produziu coisa alguma
Dilma

Desconforto. Dilma Rousseff, impaciente, cobra ação da comissão criada há um ano e sem grandes feitos a mostrar até o momento. Foto: Pedro Ladeira/ AFP

Da África do sul do Apartheid aos vizinhos do Cone Sul vitimados por ditaduras sangrentas como a nossa, 40 nações pagaram no -sé-culo passado seu tributo à memória e à justiça. O Brasil tenta desde março do ano passado, quando oficialmente foi criada a Comissão Nacional da Verdade, instituída para investigar e relatar os crimes contra os direitos humanos cometidos pelo aparato repressor do regime, dobrar esse cabo rumo à modernidade. É uma tentativa tardia de integrar o grupo de quem prestou contas do passado. E, para muitos críticos, além de atrasado, o comitê reúne todos os elementos para se tornar um fiasco.

Na segunda-feira 1º, data do 49º aniversário do golpe de 1964, um grupo de militantes do Levante Popular da Juventude e do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça aproveitou a cerimônia de abertura dos arquivos secretos da repressão da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops) de São Paulo para colocar o dedo na ferida. Diante do coordenador da comissão nacional, Paulo Sérgio Pinheiro, de autoridades do PT e do PSDB, os jovens leram o depoimento de uma militante torturada nas dependências do Deops e emendaram um manifesto no qual criticaram o ritmo lento dos trabalhos e a falta de transparência nas investigações. “A Comissão da Verdade é um avanço na política brasileira, porém, é necessário continuar os trabalhos e criar mecanismos de participação da sociedade nesse processo para garantir que os seus objetivos sejam -cumpridos”, avisou Carla Bueno, da coordenação do Levante Popular.

A reação dos militantes coincidiu com a impaciência da própria presidenta Dilma Rousseff, uma vítima da ditadura. Na sexta-feira 29, ela exigiu a exposição de resultados práticos, de forma a garantir a “comoção nacional” necessária ao bom resultado da investigação. Entende-se a impaciência. A comissão tem pouco mais de um ano para apresentar um relatório final. Há uma quantidade enorme de documentos a serem analisados, dificuldades incompreensíveis de acessar arquivos nos estados, um escopo desnecessariamente amplo de apuração e uma cautela até agora inexplicável dos conselheiros, ainda que, com boa vontade, possa se dar um voto de confiança ao esforço dos 60 técnicos envolvidos no trabalho.

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