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Pode ser a gota d'água

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 16/02/2012 11h50, última modificação 06/06/2015 18h14
O novo pacote de austeridade aprovado no Parlamento não satisfaz a Europa. A Alemanha perde a paciência com a crise e o povo grego nem se fale

O dia 12 de fevereiro de 2012 entra para a história como um dos mais turbulentos da Grécia moderna e talvez como um momento crítico para toda a Europa. O primeiro-ministro Lucas Papademos, virtual interventor da União Europeia, conseguiu o que provavelmente se revelará uma vitória de Pirro. Fez aprovar no Parlamento, conforme acordo entre as cúpulas dos partidos que o apoiam, as condições exigidas pela troika FMI-União Europeia-Banco Central Europeu, mas, com isso, esfacelou a coalizão que o sustentava e desencadeou protestos de dimensão e violência inédita e até agora nada conseguiu de concreto das lideranças europeias.

Antes da votação, renunciaram um ministro e três vice-ministros do Laos e dois vice-ministros socialistas e o resultado final foi a perda de 60 dos 252 deputados que apoiavam Papademos (sem partido) no Parlamento. A aliança governista era formada pelo partido socialista Pasok (que ainda retinha 153 dos 160 deputados eleitos em 2009), o conservador Nova Democracia (reduzido de 91 para 83) e o ultradireitista Laos (16), mas este rompeu com o governo, e nada menos de 23 deputados socialistas e 21 da Nova Democracia se recusaram a votar pelo acordo e foram expulsos de seus partidos, reduzindo a coalizão governista a 192 integrantes. Com o apoio de dois deputados do Laos que contrariaram seu líder Giorgos Karatzaferis – sendo, por sua vez, expulsos – e de quatro deputados independentes, o acordo recebeu 199 votos.

O partido da ultradireita saiu com estardalhaço, com seu líder afirmando que os credores exigiam “40 anos de submissão” do país e que a União Europeia estava “empurrando a Grécia para o comunismo”, referindo-se à popularidade crescente da esquerda. -Segundo pesquisa de fevereiro do instituto Public Issue, o Pasok, que venceu com 43,9% em 2009, hoje tem apenas 8% das intenções de voto, mas o Nova Democracia não conseguiu capitalizar a crise de seu maior rival e caiu de 33,5% para 31% e o Laos caiu de 5,6% para 5%. Já o Partido Comunista cresceu de 7,5% para 12,5%, o Syriza (coalizão de esquerda comparável ao PSOL brasileiro), de 4,6% para 12%, e o Dimar (dissidência moderada do Syriza, fundada em 2010) tem 18%. Os Verdes têm 3,5%, os liberais de centro, 2%, os neofascistas, 3%, e outros grupos, 5%.

 

*Leia matéria completa na Edição 685 de CartaCapital, já nas bancas

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