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O motor do incentivo

por samanthamaia — publicado 11/01/2013 12h49, última modificação 11/01/2013 12h49
O novo regime automotivo estimula a inovação, mas as metas modestas podem limitar os resultados a apenas outro ciclo de aumento da produção
carros

Foto: Anderson Gores/AE

O parque industrial das montadoras no Brasil crescerá 10%, segundo os planos das primeiras 27 empresas habilitadas ao novo regime automotivo. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) diz que os investimentos somam até agora 5,5 bilhões de reais, acrescentarão 453 mil veículos à capacidade de produção e contemplam a instalação de centros de pesquisa. A previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) é de que entre 2013 e 2017 sejam investidos 14 bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento e engenharia automotiva. Os investimentos totais do setor no Brasil podem aumentar de 44 bilhões para 60 bilhões, entre 2011 e 2015.

 

 

Dentre os projetos apresentados ao governo estão 400 milhões de dólares da chinesa Chery, com fábrica em construção em Jacareí (SP). “Adiantamos o projeto em um ano por causa do novo regime e reforçamos os investimentos em pesquisa”, conta o presidente da Chery no Brasil, Luís Curi. Em seu terceiro ano no mercado brasileiro, a montadora comercializou 14 mil veículos em 2012. No fim de 2013, sua primeira fábrica brasileira será inaugurada com capacidade para produzir 50 mil veículos, número que será elevado até 150 mil em 2016. A expectativa de crescimento da demanda é grande, mesmo após o resultado negativo da produção em 2012, queda de 2% em relação ao ano anterior.

Quando a Chery lançou seus primeiros carros no mercado brasileiro há dois anos, chamou atenção a oferta do QQ pelo menor preço do mercado, um veículo equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, freios ABS, airbags e outros acessórios incomuns nos carros populares produzidos aqui. Houve críticas em relação à estabilidade do modelo quando usado nas estradas, mas a aposta da marca importada mostrava que o consumidor brasileiro já não se sentia totalmente contemplado pelos automóveis econômicos sem sofisticação. O carro 1.0 tem sofrido uma queda relativa de participação nas vendas nacionais, apesar de continuar na liderança, com 41,7% dos veículos licenciados em 2012.

É nesse ponto que está o maior desafio do novo regime automotivo. Pela primeira vez o incentivo exigirá metas de exigências de eficiência e qualidade na produção. Modestas, em relação ao que é praticado em mercados como o norte-americano e o europeu, mas um começo, segundo especialistas. O nível de eficiência que as empresas devem alcançar em 2017, de 17,26 quilômetros rodados por litro de gasolina, por exemplo, é menor do que o praticado na Europa. De acordo com levantamento da consultoria IHS em 2010, um Fiat Punto 1.4 produzido no Brasil fazia 14,8 km/l de gasolina, enquanto o mesmo modelo fabricado na Inglaterra tinha rendimento de 22,2 km/l. A comparação realizada com modelos de outras marcas mostra a mesma desvantagem do automóvel brasileiro. O Ford Fiesta 1.0, que no Brasil rodava 10,8 km/l, na Inglaterra fazia 21,8 km/l, assim como o Fox, da Volkswagen, com rendimento de 15,5 km/l de gasolina no modelo brasileiro, enquanto seu similar inglês fazia 19,7 km/l.

*Leia matéria completa na Edição 731 de CartaCapital, já nas bancas

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