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O Judiciário na penumbra

por Sergio Lirio publicado 03/02/2012 00h00, última modificação 03/02/2012 11h23
O Supremo mantém o poder de investigação do CNJ, mas a crise está longe do fim
STF

Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF

Houve um tempo em que a Magistratura impunha respeito. Medo até. Recorrer aos tribunais não era tão comum e sedes como o Palácio da Justiça, em São Paulo, simbolizavam ou pretendiam simbolizar a nobreza do poder. Inspirado em seu similar de Roma, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o palácio inaugurado em 1933 tem uma entrada monumental: as 16 colunas jônicas de granito vermelho parecem sustentar os céus. No passado, testemunhas, réus e advogados vagavam pela enorme área à espera das audiências. A alcunha de Salão dos Passos Perdidos dá uma ideia de quão intimidadora poderia ser a visão da entrada do palacete.

A frequência não é mais a mesma. Contrasta com a movimentação do outro lado da rua, endereço do Fórum João Mendes, onde a elegância clássica cedeu lugar a corredores kafkianos. O antigo prédio divide-se hoje entre um museu e os gabinetes dos desembargadores. Às vezes desponta um senhor de toga e expressão circunspecta. No mais, vagam funcionários entediados à espera do fim do expediente. Mas nem os 130 anos de tradição de um dos mais antigos tribunais do País nem a sólida arquitetura de Ramos de Azevedo foram capazes de protegê-lo da tempestade que há meses estacionou sobre o Judiciário brasileiro.

Da anulação de processos contra poderosos a decisões baseadas em uma bravata juvenil de soberania, da revelação de altos salários que ferem as regras do funcionalismo e de movimentações financeiras suspeitas à descoberta de pagamentos milionários a juízes e servidores, além dos ataques corporativistas ao poder de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Magistratura nunca esteve tão exposta. Ou nunca foi tão questionada.

 

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