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O exército de Felicianos

por Cynara Menezes — publicado 22/03/2013 11h11, última modificação 22/03/2013 11h11
A possível renúncia do pastor ao comando da Comissão de Direitos Humanos não afeta o poder crescente dos evangélicos

Os mais de 450 mil cidadãos indignados que assinaram uma petição na internet a favor da destituição do deputado e pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara terminaram a semana esperançosos. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, prometeu uma solução até terça-feira 26. Tudo caminha para a renúncia do obtuso parlamentar. Será, porém, um pequeno revés na crescente influência evangélica no Congresso Nacional.

Um livro lançado na quinta-feira 21 faz uma retrospectiva das relações entre a religião e a política e aponta um recrudescimento do poder evangélico no Parlamento nos últimos dois anos. Religião e Política: Uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil, dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, relata como os evangélicos se tornaram, no âmbito dos costumes, os porta-vozes do discurso conservador, a partir da análise de dois acontecimentos emblemáticos: a utilização do aborto na campanha eleitoral de 2010 e a polêmica sobre o “kit anti-homofobia” que o MEC pretendia lançar nas escolas no início do governo Dilma Rousseff e descartado diante das pressões.

Segundo os autores, embora cresça paulatinamente, a influência dos evangélicos no Congresso oscilou nos últimos anos. Em 2006, quando se organizaram em uma frente parlamentar, os evangélicos somavam 90 parlamentares. Com o escândalo dos sanguessugas, esquema de fraudes nas licitações para a compra de ambulâncias durante a gestão de José Serra no Ministério da Saúde, a bancada religiosa emagreceu. Na legislatura seguinte, era composta de 30 congressistas, pois a maioria não se reelegeu. No fim de 2010, a Frente Parlamentar Evangélica havia aumentado novamente e somava mais de 50 integrantes.

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