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Navegar é preciso

por Redação Carta Capital — publicado 27/04/2012 14h12, última modificação 27/04/2012 14h12
Fanático torcedor do Vasco da Gama, Humberto Quintas quer ser o primeiro turista brasileiro no espaço
Quintas

Talismã. No treinamento nos Estados Unidos, durante voo em gravidade zero, Quintas vestia uma camiseta do Vasco. Foto: Adriana Lorete

*Por Francisco Alves Filho

Muitos meninos sonham em ser astronautas, como aqueles dos filmes e desenhos animados. Para Humberto Quintas, o desejo sempre representou um paradoxo. Quando olhava o céu e se imaginava a tocar as estrelas, o medo de altura estragava seus devaneios. Não era um simples temor: bastava chegar perto de qualquer varanda, a poucos metros do chão, as mãos começavam a suar, prenúncio da tontura. Para alguém assim, o espaço sideral é um ambiente totalmente contraindicado. O tempo passou, o garoto cresceu, tornou-se executivo de uma multinacional do petróleo e o medo de altura persistiu. Somente agora, aos 32 anos, Quintas resolveu desafiar a própria fobia. E de forma radical. Inscreveu-se para ser o primeiro turista espacial brasileiro e já se prepara nos Estados Unidos, em voos em gravidade zero.

O carioca virou o jogo e transformou o velho sonho em antídoto contra seus fantasmas. “Dizem que é bom enfrentar nosso medo, não deixá-lo se afastar muito para mantê-lo sob controle e é isso que estou fazendo.” A viagem, organizada pela empresa americana Space Adventures, custará ao todo 110 mil dólares, valor que o executivo pagará em prestações. Na verdade, Quintas será levado a um ponto suborbital, o mesmo alcançado em 1961 pelo astronauta russo Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a constatar que, do espaço, a Terra é azul. A liberação desse tipo de voo a “turistas” regulares ainda está em fase de discussão em organismos internacionais, mas os voos devem ser aprovados em breve. Enquanto isso, o brasileiro segue no treinamento. Em julho vai à Rússia fazer um voo estratosférico.

Nesse primeiro estágio, planejou tudo em silêncio, não contou nem mesmo aos amigos próximos ou aos pais. Aproveitou o fato de ter na agenda uma viagem de trabalho aos Estados Unidos, pagou os 5 mil reais cobrados e no fim de março lá estava, pronto para um voo em parábola no Boeing 727 batizado de G-Force One. Nesse tipo de experiência, supervisionado pela Nasa, a aeronave chega algumas vezes a alcançar 11 quilômetros de altura, o bastante para fazer o corpo flutuar como uma pena. Somente a duas horas da decolagem ligou para a irmã e contou sobre a aventura. “Ela riu muito, tinha certeza de que era brincadeira.” Meia hora depois, a mãe, dona Tânia, ligava desesperada: “Onde você está, menino?”

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