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Francisco ou Pilatos?

por Eric Nepomuceno — publicado 22/03/2013 11h10, última modificação 22/03/2013 11h10
O papa foi no mínimo omisso no período mais tenebroso da ditadura argentina

As evidências parecem claras, ao menos neste primeiro instante: Jorge Mario Bergoglio, jesuíta, cardeal de Buenos Aires até virar o papa Francisco, será uma figura popular. A imagem de um clérigo que prepara a própria comida, conversa com o jornaleiro e anda de metrô foi cantada em prosa e verso aos quatro cantos do mundo. No lugar dos refinados sapatos de seu antecessor, vermelhos, de pelica finíssima e feitos à mão, calçados comuns, visivelmente gastos. É bonachão, brincalhão, de hábitos banais. Após se tornar o chefe espiritual de mais de 1 bilhão e meio de almas, ainda teve o gesto singelo de pagar a conta da hospedagem.

Na mesma toada, faz questão de autointitular-se bispo de Roma, para deixar claro ser apenas mais um. E dispensou o veículo blindado, azucrinou sua segurança com a mania de ir ao encontro dos fiéis e, claro, não deixou de afagar um rapaz enfermo nos braços de um homem na Praça São Pedro.
Também parece claro ter ele consciência do tamanho dos problemas internos do Vaticano. Há de tudo, e para todos os gostos: corrupção, intrigas palacianas, conspirações, disputa de espaço e poder, lavagem de dinheiro, traições e, para completar, os abusos sexuais e os casos de pedofilia. Isso para não mencionar o pesado, pesadíssimo peso do véu da omissão a encobrir os pecados.
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