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Argentina

As voltas que o mundo dá

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 20/04/2012 12h33, última modificação 20/04/2012 12h33
O risco de crise cambial levou Cristina Kirchner a inverter sua postura de 20 anos atrás
Kirchner

Mitos. Cristina assume papel de reencarnação de Evita. Não adianta lembrar que em 1992 ela e o marido apoiaram a privatização. Foto: Daniel Garcia/AFP

A intervenção na YPF, quase 90 anos após sua fundação como Yacimientos Petrolíferos Fiscales, a primeira estatal petrolífera do mundo, e 20 após a lei que permitiu sua privatização, é a medida mais ousada de Cristina Kirchner. Enquanto a anunciava em cadeia nacional de rádio e tevê, seus agentes punham os executivos da Repsol e seus sócios argentinos do Grupo Petersen literalmente no olho da rua, forçando-os a esvaziar suas gavetas e sair pela garagem. Foram substituídos de imediato por funcionários do governo, sob as ordens do ministro do Planejamento, Julio de Vido.

Especulações sobre a reestatização da subsidiária que em 2011 representou 18% do valor contábil, 34% do lucro e 40% das reservas de petróleo da Repsol circulavam há algumas semanas. Na quinta-feira 12, o jornal Clarín divulgou que um projeto de lei nesse sentido já estava pronto, o que o governo negou. Mas o momento pegou de surpresa a Espanha, os acionistas da Repsol e a Stratfor, que tentou investigar, com muita seriedade, se a Argentina tentaria retomar as Malvinas pela força, mas não cogitava dessa hipótese.

Para dizer a verdade, mais incrédula ainda ficaria a própria presidenta, se um viajante do tempo, como o Eternauta de Héctor Germán, voltasse 20 anos para anunciar-lhe o que viria a fazer em 16 de abril de 2012.

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