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Aécio e o ambiente

por Sergio Lirio publicado 01/11/2012 10h41, última modificação 01/11/2012 10h41
O tucano mineiro herda uma oposição fragilizada, em busca de um novo discurso e cercada pela contínua ascensão do PT. Será capaz de liderá-la até 2014?
Haddad

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, teve as contas rejeitadas pela Justiça. Foto: Antonio Cruz/ABr

*Colaboraram  Cynara Menezes (Brasília), Gabriel Bonis e Peiro Locatelli (São Paulo)

Aécio neves saiu de Belo Horizonte rumo ao seu gabinete no Senado, em Brasília, na manhã da quarta-feira 31, antevéspera do Dia de Finados, data em que os brasileiros acendem velas aos mortos. Três dias antes, o ex-governador mineiro acompanhou de casa o enterro político de seu maior adversário no PSDB, o paulista José Serra. Embora, durante o velório, ou melhor, durante o discurso em que reconheceu a derrota na disputa pela prefeitura de São Paulo, Serra tenha se declarado “revigorado”, conta-se nos dedos quem apostaria em seu renascimento.

Ou talvez o único a resistir à realidade seja o próprio Serra. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, irritado com a proposta unânime de renovação partidária, defendida, entre outros, por Fernando Henrique Cardoso antes mesmo de as urnas consagrarem a vitória de Fernando Haddad, o tucano teria dito que a ideia era “coisa de petista”. Mas a insistência do paulista em permanecer na ribalta e seu encontro final com o ultraconservadorismo, após a definitiva guinada direitista em 2010, deixaram um rastro de destruição não só em sua biografia, sempre demasiadamente inflada pela generosidade do colunismo político brasileiro, mas nas rotas alternativas da oposição. Em entrevista a Cynara Menezes (na pág. 28 da Edição 722), Aécio critica o neoudenismo dominante no PSDB nas últimas eleições: “Não está no ideário do partido e não é da natureza do partido”.

O mineiro acena com o retorno do protagonismo perdido pelo PSDB nas últimas eleições, em novas bases. Quem sabe por engano muitos ainda supervalorizem o fato de Serra ter chegado ao segundo turno nas presidenciais de 2010 e na disputa municipal deste ano. Ilusão. O tucano paulista foi coadjuvante em ambas as eleições, beneficiado por fatores inesperados e empurrado pela mídia e pelo sentimento antipetista. Nunca pelos eventuais méritos de sua campanha. Apesar de toda a narrativa midiática a seu favor, o ex-governador atingiu um índice recorde de rejeição em 2012, mais de 50%. À página 30, Nirlando Beirão escreve o obituário político de alguém que “prometia ser e não foi”.

*Leia matéria completa na Edição 722 de CartaCapital, já nas bancas