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A resistência rentista

por Luiz Antonio Cintra — publicado 14/12/2012 14h00, última modificação 14/12/2012 14h00
O Brasil vive o auge das dores da transição para uma estrutura civilizada de custos e Mantega vira o alvo principal da ira de quem não ganha como antes
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foto: Antonio Cruz/ABr

Desde o início do governo Dilma Rousseff, quando da Casa Civil Antonio Palocci conspirava abertamente contra ele, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não sofria tanta pressão. Não se fala aqui do texto da revista The Economist que recomenda sua demissão, cuja exagerada repercussão na Esplanada dos Ministérios e em círculos bem-pensantes da academia e do mercado é mais uma prova de nosso provincianismo. No comando de uma agenda econômica complexa e que atinge muitos interesses poderosos, com dificuldades para elevar a confiança dos empresários e dos investidores e diante de um desempenho sofrível do PIB, Mantega está de novo na mira.

O ministro tem sido criticado até pelo excesso de otimismo nas previsões. No início do ano, a Fazenda falava em crescimento de 4%, hoje uma miragem. Até alguns meses atrás, Mantega insistia ser possível chegar a 3%. Desde a divulgação do PIB do terceiro trimestre, com alta de 0,6%, viu-se obrigado a reconhecer que o País avançará pouco mais de 1,5% neste ano. Para vários especialistas, o desempenho será pior: no máximo 1% de expansão.

Abaixo da média latino-americana de 2012, de esperados 3,2%, segundo a Cepal, a economia brasileira foi prejudicada em parte pela redução dos juros bancários, um problema metodológico que resultou na variação negativa do PIB dos bancos, que representam 6% do produto total. Como o IBGE apura as taxas básicas por meio de amostras, conforme as normas sugeridas pela ONU, o resultado deu a impressão de queda da receita dos bancos nos meses de agosto, setembro e outubro. Segundo especialistas, um cálculo que levasse em conta toda a massa de crédito ofertado no País chegaria a um crescimento em comparação ao mesmo período de 2011, de cerca de 13%, em vez do recuo calculado de pouco mais de 1%. A diferença explica o fato de muitos analistas, vários sem vínculos com o governo, terem se declarado surpresos com a variação trimestral modesta. A aposta mais frequente era um avanço de 1% no trimestre.

*Leia matéria completa na Edição 728 de CartaCapital, já nas bancas