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A próxima crise

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 24/08/2012 12h11, última modificação 24/08/2012 12h11
O mundo pode estar prestes a entrar numa era de insegurança alimentar permanente
china

Novos apetites. Cada quilo de carne a mais na dieta dos chineses exige 30 quilos de grãos. Foto: ImagineChina

Daqui a não muito tempo, a humanidade poderá vir a ter saudades dos bons tempos dos choques do petróleo, dos colapsos bancários de 2008 em Wall Street e da atual embrulhada europeia. Uma crise alimentar de longa duração, capaz de fazer muito mais vítimas em muito mais países, está a caminho. Será o resultado quase inevitável da combinação da disparada da demanda por carne das classes médias de países em desenvolvimento, da febre dos biocombustíveis, do crescimento demográfico, do esgotamento de combustíveis e fertilizantes, do aquecimento global e da importância crescente da especulação com alimentos, não necessariamente nessa ordem.

Neste ano de 2012, os EUA enfrentam sua pior seca desde 1956, pelo menos. Talvez a maior desde a Dust Bowl dos anos 1930, retratada por John Steinbeck em As Vinhas da Ira. Afeta dois terços do país e metade do seu território foi incluído nas “áreas de desastre” agrícola. Os prejuízos às safras estadunidenses de milho e soja, que abastecem quase a metade do comércio internacional desses produtos, fizeram seus preços baterem recordes nas bolsas globais e impulsionarem os preços das rações e das carnes.

Não é um problema isolado, pois as safras da Rússia e Ucrânia também foram prejudicadas por temperaturas extremas, enchentes e secas. As exportações russas de trigo em julho de 2012 foram 25% inferiores àquelas do mesmo mês do ano passado e de 6 milhões a 7 milhões de toneladas podem ter sido perdidas. Na Índia e Tailândia, as chuvas trazidas pelas monções são 15% acima da média e se espera um aumento de 10% nos preços do arroz. Na África, a pior seca dos últimos 60 anos ameaça de fome 18 milhões no Sahel (Senegal, Mauritânia, Mali, Níger e Chade) e 13 milhões no Chifre da África (Somália, Etiópia, Eritreia, Quênia e Uganda). No Brasil, a seca no Sul e no Nordeste quebrou safras de soja, cana e feijão. Em julho de 2012, os preços mundiais médios de alimentos foram duas vezes superiores à média dos 15 anos de 1990 a 2004 e os de cereais, mais de duas vezes e meia.

*Leia matéria completa na Edição 712 de CartaCapital, já nas bancas