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Oriente Médio

A nova Líbia?

por Gianni Carta publicado 27/07/2012 12h24, última modificação 27/07/2012 12h24
A guerra civil na Síria fica mais violenta, Al-Assad vira personagem secundário e o Ocidente se enreda em um jogo diplomático intrincado
Assad

Sírios vs. sírios. O presidente Al-Assad pode ter deixado o país. E em Alepo, seguem os conflitos. Foto: Bulent Kilic/AFP

O futuro de Bashar Al-Assad passou para o segundo plano em um cenário mundial no qual se delineiam possíveis conflitos entre defensores e detratores estrangeiros da Síria. A guerra civil a ser decidida na batalha entre as forças regulares e o Exército Sírio Livre (ESL), em Alepo, no noroeste do país, terá repercussões no Oriente Médio e em capitais ocidentais, diz o professor Michael Clarke, diretor-geral do Royal United Services Institute (Rusi). No relatório do Rusi, intitulado A Collision Course for Intervention, Clarke não descarta uma intervenção externa limitada na Síria.

“Na verdade, essa guerra nunca deixou de ser um entrevero entre a Arábia Saudita e o Iraque”, argumenta Malek Chebel, filósofo e antropólogo especializado em Islã. Segundo Chebel, autor, entre dezenas de livros, de Manifeste pour un Islam des Lumières, de um lado estão os iranianos no apoio ao grupo xiita Hezbollah (considerada uma organização terrorista pelos EUA), com sede no Líbano, e xiitas e alauítas na Síria e na liderança do Iraque. Do outro estão os sauditas, aliados da maioria sunita na Síria e no Líbano, bem como da minoria sunita no Iraque.

No tablado internacional, os sauditas e os países conservadores do Golfo Pérsico fornecem armas para a oposição síria. A Turquia também auxilia a oposição e colabora (a exemplo da Arábia Saudita) com os EUA. Chebel, aliás, não descarta a possibilidade de a recente derrubada de um caça turco que teria violado o espaço aéreo sírio não ter sido uma tática para motivar uma invasão estrangeira por parte de Washington.

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