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Sociedade

A miragem do crescimento

por Rodrigo Martins publicado 20/04/2012 12h28, última modificação 20/04/2012 12h28
O Brasil arcaico que ainda salta aos olhos, apesar dos avanços
saneamento

Na porta de casa. Maria Silva, de Manaus, reclama da dengue, malária, e diarreia. Foto: Giovanna Consentini

Um artigo recente no site do diário inglês The Guardian resume bem a imagem conquistada pelo Brasil nos últimos anos. A respeito da viagem da presidenta aos Estados Unidos, e do descaso com o qual a mandatária brasileira foi recebida em Washington, o articulista sentenciou: “Todo mundo quer falar com Dilma, menos Obama”.

Todo mundo quer falar e quer vender para o Brasil de Dilma Rousseff. Somos a sexta maior economia do mundo, com um PIB de 2,48 trilhões de dólares em 2011. Até 2015, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), chegaremos à quinta colocação, após ultrapassar a França. Em um mundo em recessão ou em ritmo lento de recuperação, nosso mercado interno tem sido um oásis de prosperidade, disputado por chineses, europeus e norte-americanos. Temos o terceiro maior mercado de computadores, com 15,4 milhões de unidades vendidas no ano passado e o quarto de automóveis. Há mais linhas habilitadas de telefone celular (224 milhões) do que habitantes.

Um efeito do sucesso econômico sentido na pele pelos brasileiros é a elevação do custo de vida no País – ou ao menos nos grandes centros. Está mais barato frequentar restaurantes, adquirir imóveis e comprar roupas no exterior, como atestam os turistas nativos em recentes viagens. Imagina-se, porém, que os males típicos da expansão em velocidade maior que a oferta e a infraestrutura sejam passageiros. Malposta mesmo é a sensação compartilhada por muitos de que o Brasil dobrou o cabo da boa esperança do subdesenvolvimento e passou a integrar o time das nações bem-sucedidas. Há quem confunda crescimento com desenvolvimento.

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