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A América comum

por Eduardo Graça — publicado 06/09/2012 11h50, última modificação 06/09/2012 11h50
Em uma convenção que celebra a diversidade e a integração social, o Partido Democrata consagra Barack Obama como o candidato da classe média
Obama

Flashes. Obama, ao lado das filhas, assistiu à abertura da convenção, mais emotiva do que aquela dos republicanos. Foto: Pete Souza/AFP

Com um emocionante tributo ao senador Edward Kennedy (1932-2009), a apresentação da nova estrela do partido, o prefeito de San Antonio (Texas), Julián Castro, de 37 anos, conhecido na política texana pelo epíteto “Obama latino”, e um discurso arrasador da primeira-dama Michelle Obama, a convenção nacional do Partido Democrata, realizada em Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte, apostou na história de conquistas sociais apoiadas pela agremiação para energizar uma vez mais a coalizão de jovens, negros, hispânicos, trabalhadores sindicalizados, mulheres, gays e cidadãos sem filiação partidária que levou a legenda de volta à Casa Branca em 2008.

“Barack Obama conhece o sonho americano como poucos, pois ele é resultado direto de suas possibilidades, ele o viveu. No início de nossa vida de casados, meu marido recusou ofertas de empregos com altos salários para trabalhar com comunidades pobres em Chicago. Éramos um casal jovem, apaixonado e endividado. Precisamos da ajuda do governo, do crédito educativo para nos formarmos e devíamos mais do que o valor de nossa casa. Para Barack, sucesso não é um termo ligado à quantidade de dinheiro que você acumula, e sim à diferença que você pode fazer na vida das pessoas. E, para nós, quando se encontra o sucesso, não se bate com força a porta atrás de si. Você a escancara para que outros também consigam atravessá-la”, disse Michelle, interrompida a todo momento por gritos de “mais quatro anos” de uma militância em fogo.

Até o mais alienado dos eleitores captou a intenção das palavras da mãe de Malia, de 14 anos, e Sasha, de 11, que apareceram em foto abraçadas ao pai na Casa Branca, assistindo pela tevê ao depoimento da mãe: ao contrário dos bilionários Mitt e Ann Romney, o primeiro-casal é a classe média americana no poder. “Foi uma noite inesquecível, absolutamente perfeita, com todos os oradores passando a mensagem do Partido Democrata, mostrando claramente a diferença entre as duas plataformas”, dizia, na virada da noite, um exultante James Carville, o marqueteiro da primeira candidatura de Bill Clinton à Presidência em 1992. David Gergen, o decano dos analistas políticos da CNN, diretor do Centro de Lideranças no Setor Público da Universidade de Harvard, foi mais direto: “Se os democratas tiverem mais duas noites como estas, eles podem transformar completamente a corrida eleitoral, decidindo o jogo na noite de quinta-feira”.

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