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da universalização 


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A agenda 
da universalização 


por Redação Carta Capital — publicado 04/01/2013 12h37, última modificação 04/01/2013 12h41
Aplaudidos no mundo, os programas 
de combate à fome e à miséria ainda precisam alcançar muitos necessitados
Agricultor Familiar

Foto: Tamires Kopp/MDA

Por Hélder Muteia*

Há muito que o mundo acompanha os passos do Brasil. Desde os esforços conjugados para a estabilização e consolidação econômica, passando pelas batalhas para uma maior justiça e equidade social, e mais recentemente os corajosos compromissos com os desafios da preservação ambiental.

Na organização a que pertenço, seguimos muito atentamente o desenrolar dos acontecimentos e centramos a nossa atenção no combate à fome e à má nutrição. Um momento marcante ao longo de todo o processo foi a adoção do Programa Fome Zero. Uma década atrás, as estatísticas mundiais sobre a fome e a miséria ofuscavam qualquer esperança. Perto de 1 bilhão de pessoas estavam afetadas e os esforços internacionais patinavam na retórica das grandes conferências e nos colossais anúncios de contribuições humanitárias que nunca produziam efeitos palpáveis.

 

 

Os líderes mundiais pareciam -render-se a certa forma de conformismo. Era evidente a procura de novas formas de liderança, mais atuantes, mais comprometidas, mais decididas. Que apelassem à mobilização de todos. Que trouxessem consigo uma visão pragmática e clara e apontassem os mecanismos necessários para sua implementação, facilmente manuseáveis pelos mais carentes e necessitados: países, comunidades, famílias e indivíduos.

Assim, quando o governo Lula anunciou o Fome Zero, esse gesto teve uma repercussão não apenas no nível do Brasil, mas também, e fundamentalmente, no internacional. Abria-se uma oportunidade ímpar de demonstrar por via empírica possíveis caminhos e soluções. Como não podia deixar de ser, também surgiram os céticos, os inconformados, os indecisos. O ponto comum era que a fasquia parecia muito alta: levar a fome à estaca zero. Erradicá-la. Para os pessimistas, ridiculamente irrealista. Para os otimistas, corajosamente ousado e refletindo toda a indignação necessária para derrubar o monstro.

*Representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)

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