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Vida de profeta

por Ali Onaissi — publicado 13/12/2010 08h39, última modificação 13/12/2010 10h40
Editora Attar está lançando uma das mais originais biografias do fundador do islamismo. "Muhammad – A vida do Profeta do Islam segundo as fontes mais antigas". Por Ali Onaissi

Aproveitando o grande sucesso da mostra Islã no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB; no Rio, em São Paulo e Brasília), a editora Attar está lançando uma das mais originais biografias do fundador do islamismo.

Muhammad – A vida do Profeta do Islam segundo as fontes mais antigas (R$ 88, 512 págs.) é fruto de 13 anos de pesquisas no Norte da África e Oriente Médio acerca das tradições orais e escritas datadas dos séculos VIII ao IX sobre a vida do fundador do Islã e seus companheiros.

Num estilo narrativo agradável e suave, como um início de noite no deserto, desdobram-se em 85 capítulos os relatos de homens e mulheres que conviveram diretamente com Muhammad (ou Maomé) e que testemunharam os acontecimentos de sua vida.

Pelos olhos e bocas das esposas, dos seguidores e dos inimigos do profeta, somos apresentados a diversos Maomés: um profundo meditador, que se embrenhava nas inúmeras cavernas no deserto, com suas mágicas visões do Arcanjo Gabriel, das húris deliciosas, do Paraíso mais que prazeroso; um grande estrategista político e militar, que soube criar conexões com os mais influentes clãs da Arábia; um conciliador entre as crenças politeístas árabes e a nova religião que estava sendo formada; e, especialmente, um notável mestre da metafísica tradicional árabe, expert em poesia, simbologia e um raro sentido do sagrado.

Esses diversos relatos sobre a vida do profeta estavam quase perdidos nas memórias de contadores de histórias nas praças, souks, cafés, madrassas e centros sufis do Norte da África e Martin Lings os compilou e trouxe ao Ocidente, após sua expulsão, por Gamal Abdel Nasser, na revolução egípcia da década de 50.

Além dessa vasta literatura trazida de diversos países árabes, principalmente do Egito, Lings ainda teve acesso privilegiado aos manuscritos orientais antigos, guardados no Museu e na Biblioteca britânicos, permitindo-lhe, assim, dominar com rara maestria a complexa estrutura poética do Alcorão e das técnicas de caligrafia e iluminuras islâmicas.

Com todas essas habilidades, o autor nos transporta, capítulo a capítulo, não somente aos fatos históricos do início do islamismo, mas a um mundo mágico, carregado de um saudosismo espiritual que desapareceu no Ocidente por conta de nossa necessidade de desacreditar em tudo que não possa ser mensurado por telescópios, microscópios e olhos.