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Theatro Municipal de São Paulo recebe ópera de Mozart

por Paloma Rodrigues — publicado 13/09/2013 15h24, última modificação 13/09/2013 15h29
Orquestra Sinfônica de São Paulo une Don Giovanni, de Lorenzo Da Ponte, à figura soturna do Conde Drácula
Maria Clara Parada
Don Giovanni

O ator brasileiro Leonardo Neiva no papel do protagonista Don Giovanni

A ópera Don Giovanni, de composição de Wolfgang Amadeus Mozart e libreto de Lorenzo Da Ponte, ganha contornos soturnos na leitura de Francesco Pier Maestrini para temporada no Theatro Municipal de São Paulo. Na adaptação, a história do galanteador espanhol conhecido pela fama de conquistador tem inspiração de outra figura soturna da literatura: o Conde Drácula. O espetáculo, executado pela Orquestra Sinfônica de São Paulo e regida pelo maestro israelense Yoram David, estreou na quinta-feira 12 e fica em cartaz até 22 de setembro. Os ingressos estão esgotados.

"Um aspecto importante é que os dois [Don Giovanni e Drácula] escolheram viver fora das regras da sociedade. Eles escolheram ter uma certa liberdade, que obviamente é punida, porque a sociedade não permite que as pessoas vivam fora dos regulamentos", diz Yoram David. "Eu acredito que todos, no fundo, sonham em viver como eles".

Maestrini diz que a vontade de dar vida a um Don Giovanni soturno existe desde a faculdade. "Existe muito material sobre Don Giovanni e eu encontrei um estudo de Alessandro Baricco que se chama Drácula, Sósia de Don Giovanni, em que ele colocou por escrito todas as analogias dos dois personagens, que são dois mitos eternos". A partir de então, ele explora as duas "quase-não pessoas", nas palavras de Maestrini. "Eles não têm um senso de culpa, uma ética nessa leitura", diz ele. "Pelo que eu sei, isso nunca foi pensado. Don Giovanni é pensado de todas as maneiras possíveis, cada ano são feitas muitas montagens pelo mundo. E elas são sempre atualizações para o moderno. É muito raro ver Don Giovanni montado no século XVII hoje em dia", completa.

O tom cômico da peça se dá a partir da relação entre Don Giovanni e seu serviçal Leporello. A todo momento o servo tenta alertar o patrão sobre os riscos que ele corre se envolvendo com mulheres casadas e donzelas, cujos pais juram morte ao sedutor a cada uma de suas investidas.

A complexidade da personalidade de Don Giovanni o aproxima do público. Ao longo da ópera, diversas sensações a respeito do personagem-tema são experimentadas. "Apesar de Don Giovanni causar dor à muitas pessoas, o público simpatiza com ele e, mais do que isso, as pessoas veem Don Giovanni como um personagem trágico, o que também pode ser dito de Drácula. No final, Don Giovanni não causa apenas simpatia, mas pena", completa o regente.

O papel-título é revezado pelo italiano Nicola Ulivieri e pelo brasileiro Leonardo Neiva. Os tons de vermelho estão sempre presentes na figura de Don Giovanni e ajudam a compor sua personalidade.

O Theatro Municipal

Experiente, Yoram David já esteve no Brasil em outras ocasiões, mas é a primeira vez que se apresentará em no Theatro Municipal de São Paulo. "Nunca se torna mais fácil [reger uma orquestra]. Na verdade, acredito que se torne inclusive difícil, porque você espera mais de si mesmo e dos músicos, porque você passa a conhecer a música melhor também", diz.

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