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Cariocas

Tempo bom pra dedéu? Ou não? Ambos

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 01/12/2010 16h36, última modificação 01/12/2010 16h36
Guerra civil urbana à parte – que atemoriza, como nunca antes atemorizou antes, o Rio -, os cariocas estão a-do-ran-do este mês de novembro já tão decantado nesta coluna às vésperas de si mesmo

Guerra civil urbana à parte – que atemoriza, como nunca antes atemorizou antes, o Rio -, os cariocas estão a-do-ran-do este mês de novembro já tão decantado nesta coluna às vésperas de si mesmo, durante o seu decurso e agora, no final. Em outros tempos, o tempo a esta altura do ano já tinha esquentado acima da média (na verdade esquentou, por outros motivos, como o mundo inteiro tem visto na televisão). E não supúnhamos, a não ser pela previsão dos senhores do tempo que, mesmo doutos, não esconderam sua surpresa ao ver que a batata estava assando para depois chegar estorricada, agora em dezembro, e terminar carbonária em março.

Dizem todas as moças e os poucos moços da previsão que esse clima ameno mês passado, que frequentemente deu céus plúmbeos e chuvosos, perdurará em dezembro. A notícia é alvissareira para quem não gosta de dias e noites caniculares como os do verão passado. Inesquecíveis meses de mal-estar. Muito embora a guerra lá fora, contra os traficantes, seja muito pior e desconfortável para o cidadão honesto e cumpridor de seus deveres. Até quando?

Um amigo passava o Natal em Londres e ouviu de sua mãe octogenária a lamúria de que o calor no Rio era inacreditável. Ele que, por sua vez, enfrentava um dos invernos mais congelantes do futuro reino de Lady Kate Middleton, achou que a observação da mãe era típica falta de assunto.

Nada mais natural não suspeitar que a genitora estava sendo de uma  alta fidelidade aos fatos. É que uma espécie de afasia ansiosa ainda assoma os telefonemas à longa distância, mesmo que as distâncias tenham sido reduzidas a pó pelas fibras óticas submersas nos cinco Oceanos e pelos satélites que nos orbitam.

Não é mesmo fácil compreender como se fala de tão perto estando tão longe, principalmente em datas emocionais. Quem, nesse mundo pode dizer que fica à vontade, como se estivesse ligando para o delivery de pizza da esquina? A mãe reclamava do calor na cidade e ele reclamava solidário, embora feliz da vida, do frio britânico para se desejarem, ambos, olhando o relógio:  - “Feliz Natal”.

As recentes reportagens sobre as diferenças típicas entre as gerações inspiram o pensamento de que isso de telefonar DDI olhando o cronômetro e de não ter assunto, é coisa típica dos baby boomers. E, claro, da geração que gerou esses ultrapassados que vêem seus sucessores, X e Y, como cromossomos  apressados, tentando emplacar uma diretoria.

E não é que a mãe do amigo relatou a mais pura verdade? O amigo, acostumado a verões antológicos em Ipanema e praias adjacentes, quis ficar nu ao desembarcar num Tom Jobim, que ainda merece ser chamado de Galeão, com o ar refrigerado desativado. Teve uma miragem da poesia de Manuel Bandeira: “...o sol tão claro lá fora, o sol tão claro, Esmeralda, e em minh’alma – anoitecendo.”

Graças à simpática embora ecologicamente perigosa menina La Niña, estamos fechando um novembro digno de um junho, o que nos ajuda a acumular forças  para o calor de 2011. Nos feriados e nos fins de semana em que o sol pinta tímido, as estações do metrô e os pontos de ônibus lotados estão dando uma prévia do que vai ser “a coisa”.

Diria um autêntico baby boomer, é gente pra dedéu a torcer para o calor chegar mesmo  arrebentando os termômetros contra uns gatos pingados que em plena cidade do sol, ficam a bater tambores para agradar aos deuses da chuva.

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