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Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 04/09/2011 09h45, última modificação 04/09/2011 09h45
As dicas desta semana incluem a primeira revista concebida para um hotel brasileiro de luxo e a instalação Fortaleza de Arkadin, no Rio de Janeiro

Auxílio luxuoso

A primeira revista concebida exclusivamente para um hotel brasileiro de luxo é obra do francês Philippe Brunet. O lançamento da semestral do hotel Unique, em São Paulo, deu-se em maio. Em julho, Brunet e seu sócio Mardem Lima organizaram outro coquetel para comemorar a primeira edição da Tivoli, revista que leva o mesmo nome do hotel paulistano. No fim do ano, duas novas publicações de Brunet, de 46 anos, chegam a hotéis cariocas, o lendário Copacabana Palace e o Relais & Châteaux Santa Teresa.

Ex-jornalista especializado em política de publicações como Le Quotidien de Paris, Brunet passou a cobrir temas variados como correspondente do semanário L’Événement du Jeudi, em Nova York, e em seguida, em Tóquio.
Na capital japonesa, também trabalhou para um diário suíço e foi redator-chefe de uma revista bilíngue (francês e japonês). “Eu tinha de atrair os leitores japoneses pelo viés de assuntos populares, como o cinema francês”, diz Brunet.

De volta a Paris, sua cidade natal, tornou-se diretor de Comunicação
do Intercontinental, e de seu célebre café e restaurante, o Café de la Paix, diante da Ópera Garnier. Entre outras funções, ele editava a revista do hotel. E assim começou a escrever artigos sobre gastronomia, moda, bem-estar e música, inclusive a brasileira.

“Escuto música brasileira há mais de 20 anos, e sem compreender uma única palavra”, conta. Chico Buarque foi o primeiro da lista, mas logo colecionou CDs de, entre outros, Milton Nascimento e Maria Bethânia. Da sua primeira visita ao Rio, em março de 2009, levou um DVD de Tom Jobim. “A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi assistir a ele. E bateu a saudade.” Brunet resolveu então unir o útil ao agradável. De volta ao Brasil no início de 2010, descobriu que aqui não havia revistas de luxo feitas por hotéis. O amigo Lima, que viveu dez anos em Paris, entusiasmou-se com o projeto e abriu uma sociedade com ele. Numa terceira viagem, naquele mesmo ano, a São Paulo, os sócios assinaram um contrato com o Unique. “Agora posso viver entre a França e o Brasil e fazendo o que gosto”, diz Brunet, sorriso nos lábios, no bar do Tivoli. - Gianni Carta

Viagem imaginária

Fortaleza de Arkadin

Wesley Duke Lee
Píer Mauá, Armazém 2,
Rio de Janeiro
De 7 a 11 de setembro

O experiente Ricardo Camargo não hesita em situar este entre os mais importantes desafios de sua carreira. O galerista é o responsável por reerguer a Fortaleza de Arkadin, concebida por Wesley Duke Lee (1931-2010) em 1990, para a 44ª Bienal de Veneza, e remontada dois anos depois no Museu de Arte de São Paulo em versão menos detalhada. Originalmente, eram mais de cem toras de madeira de 4 metros de altura dispostas na forma de uma vulva sem portas, a representar a cidadela intransponível do cavaleiro Arkadin d’y Saint Amér, alter ego do artista.

“Fiz como ele desejava, montei a obra ao ar livre, para falar com os deuses”, diz Camargo em entrevista a CartaCapital. A obra é reerguida durante a feira internacional de arte contemporânea ArtRio, no píer Mauá, no Rio de Janeiro, com a ajuda de oito operários e da coordenação do irmão de Duke Lee, William. A partir da planta original, ele coloca esquadrias de alumínio para suportar as 13 toneladas de madeira da estrutura.  A instalação, que Patrícia Lee, do Projeto Wesley Duke Lee, classifica como “uma viagem pictórica e existencial”, teve origem na obra multimídia The Helicóptero, de 1969, e na série de desenhos Minha Viagem à Grécia no Helicóptero de Leonardo da Vinci, de 1978. – Rosane Pavam