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Cultura

Cinema e dança

Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 27/08/2011 18h21, última modificação 28/08/2011 17h41
A busca de uma diretora pelo seu passado em meio a ditadura e clássicos do ballet encenados pela São Paulo Companhia de Dança são os destaques dessa semana

ACERVO

Os faróis do publicitário

DUAILIBI DAS CITAÇÕES

Roberto Duailibi e Marina Pechlivanis
US$ 0,99 na Apple Store

Por Willian Vieira

Roberto duailibi é nome conhecido no implacável mundo da publicidade, não apenas por ser sócio-diretor da agência DPZ como por ter reunido, ao longo dos anos, uma espécie de “know-how para viagem” sobre a profissão. São citações que abarcam qualquer período histórico e tema. A coleção foi iniciada há mais de 40 anos para inspirar redatores.
O arquivo virou vários livros, agora reunidos em um acervo de 12 mil frases, catalogado por Marina Pechlivanis e disponível como aplicativo para iPad, iPhone e iPod Touch. Logo, o restante das 40 mil frases do acervo deve estar disponível. Há um aperitivo no site www.duailibidascitacoes.com.br, onde se pode questionar o oráculo eletrônico. A uma pergunta sobre dinheiro a caminho, ele responde com uma citação de Shakespeare: “A dúvida prudente é considerada o farol do sábio.”

DANÇA

A graça do virtuose

São Paulo Companhia de Dança

De 26 a 28 de agosto
Teatro Alfa, São Paulo

Por Flávia Fontes Oliveira

O italiano Giovanni di Palma está no Brasil para remontar Supernova (2009), coreografia do alemão Marco Goecke, para a São Paulo Companhia de Dança, que estreia no dia 26, no Teatro Alfa. Na dança, o remontador ensina, além da coreografia, a intenção dos passos, se há força, leveza ou outras sutilezas imperceptíveis para quem não trabalhou diretamente com o criador. “É uma coreografia de expressão do corpo, não tem sorrisos, não tem expressão no rosto”, diz di Palma.

Supernova, inspirada no fenômeno astronômico, quando estrelas explodem, morrem e brilham no espaço, foi concebida para sete bailarinos e une-se a 14 coreografias do repertório já apresentadas pelo grupo desde 2008, ano de sua fundação, entre obras criadas especialmente para ele e outras remontagens. Iracity Cardoso, uma das diretoras da Companhia, diz que Goecke traz um novo desafio à SPCD. “A coreografia trabalha com um tipo de dinâmica e de aceleração em termos de movimento, de ação, que nossos bailarinos não tiveram a oportunidade de fazer.”

No mesmo programa, outro destaque é a participação, nos dias 26 e 27, do brasileiro Marcelo Gomes, estrela do American Ballet Theatre (ABT), na coreografia Tchaikovsky Pas de Deux (1960), de George Balanchine (1904-1983), fundador do New York City Ballet, ao lado de Paula Penachio, bailarina da companhia. A peça de apenas oito minutos foi seu primeiro papel de destaque no ABT, quando era do corpo de baile, e combina virtuosismo e graça.

A apresentação ainda traz Inquieto (2011), de Henrique Rodovalho, diretor da Quasar Cia de Dança, e Legend (1972), de John Cranko (1927-1973), feita para Márcia Haydée e Richard Cragun, quando eram estrelas do Stuttgart Ballet. Cragun fez a remontagem para o grupo paulista.

CINEMA

Nuanças de um mestre

Vincente Minelli

CCBB São Paulo, 31 de agosto
a 11 de setembro
CCBB Rio de Janeiro, 13 a 25
de setembro

Por Orlando Margarido

Para Jean Tulard, as qualidades de Vincente Minnelli (1903-1986) justificam-se pelo seu período de formação. Cedo, integra um show musical e toma gosto pelo universo em que se especializará, primeiro como desenhista de cenários e figurinos, depois como cenógrafo e diretor em Nova York. Ele chegaria aos estúdios da Metro pronto para redefinir a comédia musical, levando a estilização aos extremos, com grande preocupação estética, no dizer de seu colega Jean Domarchi. Mas talvez o mais evidente seja o exuberante colorido de seus clássicos no gênero como Pirata (1948)
e A Roda da Fortuna (1953). Esses e outros 13 títulos integram o ciclo dedicado ao cineasta que tem início na quarta 31 no Centro Cultural Banco do Brasil, de São Paulo, e a partir de 13 de setembro no endereço carioca da instituição.

O intuito não é apenas reverenciar no que Minnelli aplicou sua maestria, mas também apontar sua vertente dramática, mesmo que com saldo irregular, como em Madame Bovary (1949), com Jennifer Jones, que pouco demonstra habilidade do diretor além daquela de valorizar suas atrizes, a exemplo de Judy Garland e Cyd Charisse. Em 1950 está seu auge, quando trata de Hollywood em Assim Estava Escrito e A Cidade dos Desiludidos e de Van Gogh em Sede de Viver. Neste, afinal, daria o recado da importância da beleza que permanece eterna nos referenciais Sinfonia de Paris, Gigi e mesmo no que para muitos seria o triunfo antes do declínio, Deus Sabe Quanto Amei.

CINEMA

Retrato ampliado

Diário de uma busca

Flávia Castro

A princípio, um questionamento pode se impor ao espectador de Diário de uma Busca. Qual seria a razão de conhecer neste documentário a trajetória de Celso Afonso Gay de Castro, que não aquela cumplicidade para com sua filha, diretora do filme? Temos, claro, o elemento de mistério na morte nunca esclarecida do protagonista, em 1984, num apartamento de Porto Alegre que ele e um colega invadiram supostamente à procura de documentos. O proprietário, depois se saberia, era um alemão ligado ao nazismo. Celso, segundo a polícia, teria se matado para não ser preso, hipótese rechaçada por um legista. O crime, por si só, aguça interesse, mas talvez ainda no plano pessoal dos familiares da vítima.

O que realmente faz o drama crescer e ampliar a reconstituição dolorosa de Flávia Castro sobre o pai é o desdobramento de sua figura para o militante político engajado em armas contra a ditadura, exilado no exterior e com fim melancólico na volta à capital gaúcha, dependente do álcool e das drogas. Flávia e seu irmão caçula conviveram com as mudanças de cidade e país, mas tampouco ela tinha idade suficiente para entendê-las. Por isso conta com a memória da mãe, ex-guerrilheira que lhe expõe com franqueza o empecilho dos filhos, além das lembranças de parentes
e conhecidos de Celso.
O quadro, se ainda distante ao público, deve ser medido pela dimensão trágica que se abatia sobre as famílias do período. A diferença aqui é que a coragem não ficou reservada apenas ao período de chumbo, mas também aos herdeiros dele que procuram esclarecê-lo melhor.