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Bravo! para ler

por Flávia Fontes de Oliveira — publicado 11/09/2011 09h00, última modificação 11/09/2011 09h57
As sugestões de livros da seção Bravo! desta semana incluem Mano, a Noite Está Velha, do escritor Wilson Bueno, e Terras Proibidas - A saga do café no Vale do Paraíba

MANO, A NOITE ESTÁ VELHA
Por Wilson Bueno
Planeta do Brasil, 160 págs., R$ 29,90

O livro Mano, a Noite Está Velha, do escritor Wilson Bueno, transita pela fronteira tantas vezes tênue que separa os relatos de ficção dos depoimentos pessoais. O narrador, ao construir um relato que se debruça sobre o passado, mergulha em si mesmo e tece suas memórias para escapar do esquecimento.

As lembranças descritas possuem um acento intimista extenuante. As imagens da infância e da adolescência compõem quadros paradoxais que oscilam entre a imprecisão e a minúcia dos detalhes. O tempo presente do narrador parece não importar, torna-se apenas um suporte para o caudaloso universo das frases que se juntam, formam recordações e logo se reagrupam, delineando uma história de vida.

O desalento e a desesperança cerceiam a vida do narrador, que atravessa o próprio cotidiano suspenso no emaranhado dos acontecimentos do passado, perdidos. O irmão, o “mano” evocado no título, é o destinatário de todas as lembranças e participa do relato como ouvinte ausente, espelhando o isolamento do narrador. O diálogo implícito transforma-se em uma metáfora representativa das perdas dolorosas e inevitáveis da experiência familiar, as vozes da infância continuam ecoando nesse diálogo de pura solidão, repercutindo em um texto denso, no qual a linguagem elaborada revela o mais puro subjetivismo. – ANA LÚCIA TREVISAN

TERRAS PROIBIDAS – A SAGA DO CAFÉ NO VALE DO PARAÍBA
Por Luiza Lobo
Rocco, 495 págs., R$ 45

O livro Terras Proibidas – A saga do café no Vale do Paraíba, da professora de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Luiza Lobo, é dedicado a estudiosos e instituições de pesquisas, segue com um prefácio cheio de citações e ao final há uma bibliografia e uma cronologia que o resume. Mas se trata de um romance. A obra é elogiada algo enigmaticamente na apresentação pelo escritor Deonísio da Silva: “As escolhas de Luiza Lobo lembram as da americana Dorothy Marie Johnson, cujo conto, adaptado para o cinema, resultou em O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford”. Silva não esclarece as escolhas de Dorothy, mas a escolha de Luiza, de mesclar pesquisa e ficção, resultou mais numa respeitável documentação social sobre a lavoura do café na Província do Rio de Janeiro, de amena leitura, do que em grande arte. Interessante que a autora descenda de barões escravistas do café, mas sua ficção defenda o direito dos escravos a serem livres. – RENATO POMPEU