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Cultura

Comunismo e Hollywood

Sugestões de Bravo! para ler

por Ana Lúcia Trevisan — publicado 22/10/2011 09h12, última modificação 22/10/2011 15h59
Nesta semana, Bravo! traz dois livros sobre um comunismo sem terror e um thriller hollywoodiano
democracia

Livro de Enrico Berlinguer

Comunismo sem terror

Do Stalinismo à Democracia
Marco Mondaini
Contraponto, 194 págs., R$ 30

Democracia, Valor Universal
Enrico Berlinguer
Contraponto, 306 págs., R$ 34

Enrico Berlinguer e Palmiro Togliatti imaginaram um comunismo bem longe
das “operações de sangue”, atentados planejados por partidos radicais na Itália. Um desses atentados chegara a arriscar a vida de Togliatti, em 1948, mas o pensador continuara, firmemente, a defender uma política pacífica. Por isso, “talvez nenhum partido comunista no mundo ocidental tenha dado, mais do que o Partido Comunista Italiano (PCI), um maior número de contribuições
ao desenvolvimento de uma estratégia de transformação socialista adequada à nova realidade política democrática de massas, que começou a se constituir enquanto tal no fim do século XIX”, sustenta em seu livro Do Stalinismo à Democracia o estudioso Marco Mondaini. “Responsável teórico-político” pelo arcabouço que produziu a chamada “via italiana ao socialismo”, Togliatti foi também um líder político de peso, ativo na estratégia antifascista da esquerda. Editor dos Cadernos do Cárcere, de Antonio Gramsci, formulou o ideário da “democracia

progressiva”, com forte apoio na práxis gramsciana e no comunismo de massas, longe da ideia de um partido de quadros fechado nos moldes soviéticos. Fruto de sua tese de doutorado, o livro de Mondaini descortina a importância de Togliatti, geralmente eclipsada pela teoria de Gramsci e pela ação política do ex-secretário do PCI Berlinguer. Democracia, Valor Universal traz os artigos deste selecionados e traduzidos por Mondaini, para quem Berlinguer foi responsável pelo terceiro salto qualitativo no arsenal teórico-político do PCI (após Gramsci e Togliatti). Mondaini destrincha sua trajetória em três textos de Berlinguer correspondentes a três períodos de sua liderança no PCI. Sua proposta de um "eurocomunismo”, via alternativa de esquerda ao mesmo tempo ética e democrática, que levaria ao “compromisso histórico”, grande passo da esquerda pragmática italiana de se aliar a outras vertentes políticas para tirar o país da estagnação, entraria para a história, escreve o autor. E, mais importante, ele se colocava contra a saída terrorista.

Rede de intrigas

Suítes imperiais
Bret Easton Ellis
Rocco, 176 págs., R$ 26,50

Suítes imperiais, do norte-americano Bret Easton Ellis, poderia ser comparado a um thriller pelo enredo vertiginoso e pela agilidade dos diálogos.
A intriga de reviravoltas exige um leitor atento às pistas dos possíveis crimes evocados. Os personagens possuem segredos ditos com meias palavras que se transformam em verdades inconsistentes, responsáveis pela atmosfera de instabilidade e suspense.

O romance retrata as futilidades e os jogos de interesse presentes no cotidiano de atrizes e atores que buscam projeção em Hollywood. Nesse cenário, Clay, um roteirista ocupado com as festas de Los Angeles, conhece Rain, disposta a fazer tudo para alcançar um papel em um seriado televisivo.
A intriga é simples, sem profundidade. Mas em meio a essa aparente banalidade surgem as faces intrigantes do mundo contemporâneo. O relacionamento entre Clay e Rain sugere mistério, intensificado pelos flashes de memória de Clay, que remetem às violências passadas e presentes.

O descompromisso rege as relações dos personagens, a dominação substitui o afeto e o egocentrismo torna-se um sentimento imperioso. No romance, o mundo parece reduzido a uma “festinha” e a comunicação não vai além da troca de mensagens de texto. O desencanto questiona o descaso do sexo, a gratuidade da morte e os contatos ínfimos e incipientes com o outro.