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Sofrer à americana

por Rosane Pavam publicado 04/03/2011 10h14, última modificação 04/03/2011 10h14
Em Restrepo, de Tim Hetherington e Sebastian Junger, soldados e afegãos negociam

Restrepo - Tim Hetherington  e Sebastian Junger
A primeira-dama americana, Michelle Obama, tem reclamado solidariedade aos soldados dos Estados Unidos no exterior. Embora não ouse angariar simpatia à causa pela qual lutam, pede reconhecimento aos “heróis” no próprio país. Se tivesse sido premiado com o Oscar de melhor documentário, o indicado Restrepo talvez houvesse se tornado peça-chave nessa campanha de Michelle.
O documentário foi filmado em 2007 por cineastas embutidos numa unidade do exército em missão. Editado com pinça para não destacar demasiadamente o horror, a violência e a ausência de sentido que há na guerra, revelou a apreensão e o sacrifício dos soldados, sem descrever o sentimento de seus oponentes, apenas presentes em reuniões de negociação.
Uma unidade de combate coloca-se no pico de uma montanha afegã, vulnerável ao Taleban, apenas para garantir a construção de uma estrada que supostamente ajudará a população carente, enquanto fará a América ali fincar mais uma bandeira. Os soldados e seus comandantes são jovens, quiçá infantis. Em cena no início do filme, viajam para a guerra movidos pela adrenalina das baladas. Durante a tomada de posição, perderão companheiros, como o doutor Restrepo que intitula o filme, construído a partir da ação e dos testemunhos.
Um dos sobreviventes diz que luta mesmo tendo partido de um “maldito” lar hippie, onde nem pistolas de água eram permitidas. Outro, que discorre sobre as tragédias sorrindo, diz que dormir lhe faz mal, já que lhe traz pesadelos. Sim, os soldados sofrem, embora, no filme, eventualmente, comemorem a distância um alvo afegão feito em pedaços, como em um videogame.