Um encantamento de Martin Scorsese. A tirada, da crítica Manohla Dargis, do jornal The New York Times, é a tradução mais exata para A Invenção de Hugo Cabret, a adaptação cinematográfica da obra de Brian Selznick, um dos mais festejados livros infantis da década passada nos EUA, em cartaz no Brasil a partir de fevereiro. Na sua estreia em 3D, o diretor de Taxi Driver faz uma declaração de amor ao cinema. Órfão, Hugo vive escondido no gigantesco relógio da torre da estação de trem de Montparnasse, na Paris dos anos 30, e descobre o mistério por trás do desaparecimento de Georges Méliès (1861-1938). Um dos pioneiros da nova arte das imagens em movimento, condenado ao ostracismo depois da Primeira Guerra Mundial, Méliès é vivido na tela por Ben Kingsley, em uma interpretação à prova de erros. O ator diz que sua inspiração estava no set de filmagem e atendia pelo nome de Martin Scorsese.
“Há muito em Scorsese que me lembra Méliès. Às vezes estou falando de Marty (como o cineasta é chamado pelos amigos) e digo, sem querer, Georges. E Kingsley improvisou bastante, mas com propriedade, já que tinha um conhecimento enciclopédico do autor de Viagem à Lua, sempre fiel
a fatos da vida de Méliès. Intelectualmente, o ator sabia tudo do cineasta para usar em sua interpretação. Mas, emocionalmente, foi um toque de gênio seu olhar atento ao próprio Scorsese”, diz Selznick, em entrevista exclusiva a CartaCapital em uma suíte do Hotel Ritz-Carlton de Manhattan.
A história por trás da criação de Hugo Cabret começou no encontro de Selznickcom outro grande escriba americano especializado em literatura infantil, Maurice Sendak, de Onde Vivem os Monstros. “Eu o conheci em uma festa, falei da importância de seus livros para minha formação e ele pediu para ler o que eu já havia publicado. Dias depois me ligou e foi bem direto: ‘Seus livros são bons, mas você ainda não fez nada que viesse de dentro, de suas profundezas.
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