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Sem fazer barulho

por Francisco Quinteiro Pires — publicado 01/12/2011 11h31, última modificação 02/12/2011 11h36
A ampliação de arquivos em museu do Queens e a publicação de um livro distanciam Louis Armstrong da imagem de submisso aos brancos
04.Louis w. kids at his home

A ampliação de arquivos em museu do Queens e a publicação de um livro distanciam Louis Armstrong da imagem de submisso aos brancos

Em maio de 1971, após trocar a fachada de madeira da sua casa por uma de tijolos, Louis Armstrong receou que pudessem chamá-lo de “nariz empinado”. “Eu sempre gostei das coisas simples”, dizia. Como aquela reforma representava uma melhora no padrão de vida,  Armstrong bateu na porta do vizinho e afirmou que pagaria a ele o mesmo serviço. A oferta foi aceita parcialmente: só o muro da moradia ao lado ganhou nova estrutura. Mais não pôde ser feito, pois o trompetista morreria dali a dois meses, em 6 de julho, enquanto dormia no quarto do andar de cima do seu sobrado.

 

Patrimônio histórico desde 1977, o imóvel onde Louis Armstrong e a sua esposa Lucille  passaram 28 anos juntos tornou-se museu em 2003, ao custo de 1,6 milhão de dólares. Esse foi o preço para restaurar a casa, chamada de Louis Armstrong House Museum, e abri-la a visitas guiadas. Com o investimento avançou o projeto de catalogação dos bens pessoais do músico, o LouisArmstrong Archives, criado em 1994.

 

Na casa localizada em Corona, bairro proletário do Queens, em Nova York, Michael Cogswell, diretor do museu, encontrou o que seria o maior acervo dedicado a um músico de jazz. Publicado à época da inauguração do espaço, Louis Armstrong, The Offstage Story of Satchmo revelou uma pequena amostra das mais de 200 folhas manuscritas de uma terceira  autobiografia, cerca de 700 fitas magnéticas, mais de 1,5 mil discos, centenas de colagens, 80 álbuns, mais de 5 mil fotografias e objetos de memorabilia, como trompetes banhados a ouro. Somou-se a esse material a coleção privada do fotógrafo Jack Bradley, a maior sobre o trompetista.

 

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