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Cultura

Sebos fazem greve virtual contra monopólio de site

por Bruna Carvalho — publicado 11/06/2014 16h04
Durante 24 horas, cerca de 150 livreiros tiraram seus catálogos da internet em protesto contra mudanças nas taxas do Estante Virtual
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Para pagar comissão, lojas teriam de vender R$ 30 mil por mês

Um dos maiores sites de sebos e livrarias de todo o País, o Estante Virtual, que reúne 1.300 estabelecimentos, viu seu acervo virtual ser reduzido drasticamente na última segunda-feira. O motivo foi um protesto de cerca de 150 livreiros cadastrados na plataforma, que retiraram do ar seus catálogos em ação contra mudanças nas tarifas e nas políticas do portal consideradas abusivas.

Até o dia 10 de junho, os sebos pagavam à Estante Virtual uma comissão de 6% sobre o preço de cada livro vendido, independentemente de seu valor, além de uma mensalidade fixa, variável de acordo com o volume do acervo. Com as mudanças, anunciadas em 28 de maio, a comissão aumentou para entre 8% e 12%, dependendo do faturamento mensal e da chamada excelência em comércio eletrônico – atingida por apenas 37% dos cadastrados.

Para pagar a comissão mínima de 8%, os sebos teriam que ter um volume de vendas de R$ 30 mil, calculada com base na média dos três meses anteriores. Outra mudança que revoltou os livreiros foi a cobrança de comissão mínima de R$ 1 por unidade. Por exemplo, a comissão de um livro de R$ 5, que era calculada em R$ 0,30, vai passar a custar R$ 1 para o livreiro, um aumento de mais de 300%.

“Na maior parte dos casos, tenho um lucro de aproximadamente 5% do valor de cada venda, descontando o que pago nos livros, os custos operacionais e as taxas. Ganho no volume de vendas. Terei que repassar a mudança nas taxas aos clientes, e creio que vou perder de 30% a 40% das vendas pelo que simulei por aqui”, afirmou a CartaCapital Alex Buzeli, que desde 2008 possui a Sebonet, livraria virtual com 98 mil exemplares cadastrados na Estante Virtual.

O livreiro Herlon Felipe, proprietário do sebo Paraibuna, pontuou também que as mudanças foram anunciadas poucos dias antes da efetivação da nova política de tarifas. “Até então, só tínhamos aumento da mensalidade, mas um aumento normal, acompanhando a inflação. De repente, avisam o aumento dando menos de 15 dias para a gente se adequar”, afirma.

Felipe vende livros online há seis anos e há três, possui uma loja física na cidade de Paraibuna, no interior de São Paulo. Ele foi um dos participantes do movimento e administra, no Facebook, a incipiente página da Associação dos Livreiros Virtuais.

Segundo os proprietários de sebos e livrarias, o surgimento do Estante Virtual, em 2006, oxigenou o mercado editorial brasileiro ao criar uma rede de comercialização alternativa às livrarias. Ao organizar os itens dos sebos e abrigar livros novos adquiridos em pontas de estoque de editoras, a plataforma conseguiu suprir uma necessidade de clientes em busca de livros mais baratos e dos sebos que sofriam com a falta de catalogação de seus acervos, perdendo vendas.

Entretanto, os livreiros argumentam que, com o passar do tempo, o Estante Virtual passou a monopolizar a prestação desses serviços de forma arbitrária. Um exemplo: antigamente, era possível aos livreiros exportar a planilha em que cadastram seus livros; hoje, contudo, o site não fornece mais aos sebos os seus próprios cadastros.

Em resposta ao movimento, no dia 10 de junho, a Estante Virtual enviou um e-mail assinado pelo criador e diretor André Garcia aos livreiros anunciando a flexibilização de uma das tarifas. Vendedores com volume de vendas calculado acima de R$ 2 mil pagarão 11% de comissão, não mais os 12% anunciados anteriormente. Ainda assim, a medida foi considerada insuficiente pelos livreiros, que pretendem fazer outras mobilizações. “Planejamos várias outras ações, inclusive criar uma Associação Nacional de Livreiros”, afirmou Buzeli.

Procurada por CartaCapital, o Estante Virtual respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que as mudanças nas taxações servirão para aumentar a capacidade de investimento e para ampliar o site. “As novas tarifas estabelecidas chegam para atender a demandas de todos os envolvidos, buscando, justamente, viabilizar uma nova Estante Virtual, mais dinâmica, com investimentos não apenas no que se refere à tecnologia, mas em equipe, qualificação estrutural, propaganda”, disse o comunicado.

“Estamos trabalhando para conquistar uma capacidade de crescimento de vendas exponencial, sem deixar de lado nosso alto padrão de qualidade e disponibilizando ferramentas de suporte e relacionamento que estejam afinadas com as necessidades daqueles que são o cerne do nosso negócio: nossos parceiros.”

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