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Recortes sensuais

por Rosane Pavam publicado 16/05/2011 13h06, última modificação 16/05/2011 13h14
O fotógrafo americano Ralph Gibson volta a provar as cores brasileiras. Em São Paulo, comemora as cinco décadas da Associação Alumni com palestras gratuitas e exposições. Ele jamais usa câmeras digitais porque as vê realistas, como o telefone ou o rádio. E da fotografia ele espera mais
Recortes sensuais

O fotógrafo americano Ralph Gibson volta a provar as cores brasileiras

O Brasil não é um país. O Brasil é a linguagem do Brasil.” Assim o fotógrafo Ralph Gibson, de 71 anos, vê esta localidade, ou será esta abstração, visitada por ele há quase uma década. “No Brasil, é fácil ficar longe de problemas”, diz a CartaCapital. O artista volta agora a absorver essa linguagem cultural exclusiva, capaz, ele crê, de deixar o Museu do Louvre para trás.

Para esse profissional que registra a imagem do mundo em preto e branco há 50 anos, munido somente de Leicas analógicas, o País não permite outro uso que não seja o da cor, como demonstrou em Brazil, livro de 2005. E é ela, igualmente, a orientá-lo em toda a América do Sul. Em São Paulo, comemora as cinco décadas da Associação Alumni com palestras gratuitas e exposições, à moda do que farão Bruce Gilden, Constantine Manos e Stephen Shore até o fim do evento.

Gibson sempre esteve atento à novidade. Na Marinha americana, aos 17 anos, aprendeu as técnicas de laboratório. De lá, partiu para o San Francisco Art Institute, onde trabalhou com uma das grandes fotógrafas em qualquer tempo, Dorothea Lange. Foi assistente de outro mestre, Robert Frank, após encontrá-lo numa festa em Los Angeles. Os dois lhe ensinaram que sem originalidade não se faz um artista. O original em Gibson está nos objetos que posam para ele. Ele os recorta, como faria um Man Ray, apimentando-lhes sensualmente,ressaltando seus fragmentos.

“Na verdade, meu amigo Cartier-Bresson dizia que eu pensava demais.” Gibson sempre esteve com os grandes. E fotografa perto, portanto melhor, conforme ensinou Robert Capa. Amante da música (é guitarrista) faz apresentações nas quais suas peças sonoras se somam a suas imagens. Jamais usará câmeras digitais porque as vê realistas, como o telefone ou o rádio. E da fotografia ele espera mais.

ALUMNI IMAGE FESTIVAL 2011
Em São Paulo, até outubro
www.alumni.org.br/imagefestival