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Raízes da melancolia

por Elias Thomé Saliba — publicado 18/05/2011 15h29, última modificação 27/05/2011 10h33
Em escritos, Sérgio Buarque de Holanda lamenta as instituições enfraquecidas e o circo da política
Raízes da melancolia

Em escritos, Sérgio Buarque de Holanda lamenta as instituições enfraquecidas e o circo da política

Em país como o nosso, onde em tudo domina a filosofia tupinambá, só se olham como grandes benfeitores os homens que fazem reformas de efeito. Embora para isso seja necessário onerar a nação e pejar seu futuro de incertezas, é essa a maneira mais cômoda para nossos governantes de conquistar popularidade. Bussolados pelo interesse próprio que quase em regra não é o da nação, esses políticos barafustam-se em intentonas egoístas cujo único mote é o lucro próprio. Eis como no Brasil se faz de meros bonifrates de circo, homens representativos.”
Não, o texto acima não foi escrito a propósito da política brasileira das últimas décadas. Nem quando menciona os “bonifrates de circo” está falando daqueles muitos Tiriricas que viraram parlamentares. O texto saiu na revista A Cigarra, no longínquo ano de 1920. Foi escrito por um jovem de 18 anos chamado Sérgio Buarque de Holanda, e serviu de argumento inicial para um artigo no qual apontava os equívocos históricos contidos no maior símbolo do País: a Bandeira Nacional. Este e tantos outros artigos surpreendentes e pouco conhecidos estão em Sérgio Buarque de Holanda, Escritos Coligidos, dois volumes organizados por Marcos Costa em coedição pela Fundação -Perseu Abramo e Unesp.
Cobrindo um período bastante longo, de 1920 a 1970, os livros reúnem quase 150 artigos, entre inéditos, dispersos ou pouco conhecidos, que permitem a um leitor atencioso acompanhar a fecunda trajetória e a versátil alternância intelectual de Sérgio Buarque entre o crítico literário e o historiador. Pesquisador incansável, ele nunca deixou de escrever para jornais e revistas, ainda quando esteve fora do País – na Alemanha, entre 1929 e 1931 ou lecionando na Itália, entre 1952 e 1954 – ou mesmo quando se encontrava completamente absorvido em preparar seus livros. Daí que uma grande parte dos artigos, reunidos nestes dois volumes, constituem autênticas antecipações dos seus livros clássicos e, em alguns casos, primeiras (e concisas) versões dos seus grandes livros.

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