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Crônica do Villas

Panda a dar com o pau

por Alberto Villas publicado 21/05/2015 11h46
Acho que acabou aquela história de que o urso panda está em extinção
John Thys / AFP
Panda

O panda Xing Hui no zoológio de Brugelette, na Bélgica.

Fiz uma pesquisa aqui no meu escritório e achei. O mais velho recorte que tenho, garantindo por A mais B que o fofo urso panda gigante iria desaparecer do planeta Terra é de 1975. 

Há exatos quarenta anos, a revista Le Sauvage alertou meio mundo que o charmoso urso preto e branco estava com os dias contados. Pelo artigo, acho que dava pra contar nos dedos de uma mão, o número de pandas que ainda havia por aqui entre nós. 

Foi um Deus nos acuda. Mas como sempre aparece um do contra nessas ocasiões, teve gente que, só pra contrariar os comovidos com o desaparecimento do bicho, disseram: 

- Que falta vai fazer um urso panda nesse nosso planeta Terra? 

Verdade. Quem já viu um panda? Que bicho é esse? 

Em 1975, ainda não havia o Google mas hoje tem. É só ir lá que você fica sabendo que o panda é um mamífero omnívoro da família Ursidae, endêmico da República Popular da China. 

Pronto. Sabendo isso e pesquisando um pouco mais, ficamos sabendo também que o panda entrou na lista dos animais em extinção porque se reproduz muito lentamente. Outra verdade. Ele é mesmo meio devagar na hora do vamos ver. 

Com isso, aos pouquinhos, eles foram sumindo, sumindo e em 1975, estavam à beira de desaparecer, sumir do mapa pra sempre. Era só falar em urso panda que havia uma comoção. Acho que o mundo todo se mobilizou pra salvar o bicho. E deu certo. 

Outro dia, surgiu a notícia, não que havia nascido mais um pandinha no mundo, mas nasceram três ao mesmo tempo, isso mesmo, trigêmeos, lá no zoológico da China. Foi um alvoroço porque o berçário estava preparado para receber um só e de tempos em tempos. E de repente vieram três de uma só vez. Alguns meses depois, todos passam bem.

Na última semana, só na Base de Pesquisa sobre Procriação de Pandas Gigantes de Chengdu, na China, vieram ao mundo quatorze filhotinhos de panda, cada um mais fofo que o outro. 

Mas não é só o urso panda que estava sumindo no mundo animal. A ararinha azul, lembra? Aquela que aparecia sempre no Globo Repórter, era o último exemplar da espécie que existia no mundo. 

De repente, entra uma notícia no meu computador dizendo o seguinte: 

“No Dia Mundial da Vida Selvagem, chega ao Brasil um casal de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) nascidas na Alemanha. A assinatura de doação será nesta terça-feira (3), às 16 horas, na sede do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília (DF)”.

E eu que achava que ararinha azul era coisa nossa, que nada. Tem ararinha azul até na terra da Angela Merkel. 

E o mico leão dourado? Esse, coitado, estava dando adeus ao planeta Terra desde sempre, acho que antes mesmo de 1975. Não é que de repente, uma amiga me conta que tem mico leão dourado vazando pelo ladrão, lá em Paraty. 

Mas voltando ao nosso querido panda, recentemente fui ao Japão e fiz questão de ir até o Zoológico de Tóquio, para ver, ao vivo e em preto e branco, o tal do panda. 

Ainda achando que ele estava em extinção, pensei em ver apenas um, o único do zoo. Confesso que em volta do cercado, havia uma pequena multidão, iPhones apontados e disparando. Até selfie tinha turista fazendo. 

Mas quando bati os olhos, nunca vi tanto panda. Entrava um, saia outro e eu achando que era o mesmo, mas que nada. Quando vi, tinha um monte deles, um ao lado do outro. Não era miragem, eram pandas, idênticos, mas pandas. 

Claro que quando você estiver chegando aqui ao final dessa crônica, não vai sair por aí matando todo panda que ver pela frente, só porque tem muitos agora. Calma lá! 

Já pensou se eles voltam pra lista de animais em extinção e desaparecem de vez? O que seria dos cronistas? 

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