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Palavra de menino

por Orlando Margarido — publicado 26/04/2011 10h25, última modificação 29/04/2011 16h54
Marcante como Macunaíma, Iauaretê ou Jamanta, Cacá Carvalho reflete sobre o ofício

Marcante como Macunaíma, Iauaretê ou Jamanta, Cacá Carvalho reflete sobre o ofício

Aos 58 anos, Cacá Carvalho está preocupado com o PIB e o pré-sal. Mas não é sobre o índice de potencial econômico de um país ou da principal bandeira atualmente da riqueza natural do Brasil que ele fala. Para o intérprete de um lendário Macunaíma, a primeira referência é sua metáfora para dar conta de uma brutalidade nas pessoas, mesmo entre os artistas. Está tudo bruto, grosseiro, diz ele, e lembra ser interessante desenvolver um produto interno delicado, sensível, silencioso. Isso vem de encontro a um movimento interior  do ator paraense que há muito procura  destituir-se de camadas  desnecessárias para chegar a um conteúdo, o que chama de “pré-sal do Cacá”.

Para tanto, o teatro não representa apenas mais um passo na construção de uma carreira, termo que despreza, mas lhe serve de forma quando intui esse conteúdo, a exemplo dos encontros com textos de Guimarães Rosa, Luigi Pirandello e, recentemente, de Louis Jouvet, reelaborados por Stefano Geraci. É uma espécie de balanço de vida, portanto, “sem nostalgia ou melancolia”, o que suas inquietações sugerem e não por acaso coincidem com o personagem do velho ator em crise por ele representado no palco do Sesc Belenzinho até 15 de maio.

As primeiras palavras da peça O Hóspede Secreto, de Geraci, são inspiradas em Jouvet: “Fechem, fechem tudo”. A partir daí, trancado com seu camareiro (interpretado por uma atriz, Joana Levi), o intérprete de clássicos de Molière dá vazão a um embate entre a condição de representar e o homem. O personagem, exemplar do que o ator reivindica, reflete sobre a liberdade de crescer e de nos modificar para sermos únicos. Essa lição, Carlos Augusto Carvalho Pereira se esforçaria para seguir a cada ciclo de sua trajetória.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 644, já nas bancas.