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Onde a música é soberana

por Ana Ferraz publicado 12/07/2015 08h30
Espaço Uirapuru nasce com a proposta de ser a menor e melhor sala acústica para audições e apresentações de São Paulo
Wagner Silveira
Espaço Uirapuru

Luizinho 7 Cordas [de óculos, ao violão] e Zé Garcez no Espaço Uirapuru

Sair da superfície e mergulhar na profundeza melódica capaz de transmitir as nuances de sentimentos que a música bem executada suscita. Com o objetivo de construir um lugar onde isso fosse possível, os violonistas Euclides Marques e Zé Garcez se uniram para criar o Uirapuru, espaço totalmente dedicado ao “ouvir, sentir, pensar e fazer música”. A nova casa, na Vila Mariana, em São Paulo, reúne nomes de peso como Luizinho 7 Cordas, mestre do violão, o pianista Albano Sales, o clarinetista Fernando Oliveira e o saxofonista João Poleto. O projeto, fruto de sonho e dedicação, oferece a rara oportunidade de ouvir música com qualidade o mais próximo possível da executada ao vivo. O Espaço Uirapuru promoverá cursos e oficinas e realizará shows com músicos do Brasil e Exterior.

“Sem exageros, seremos a menor e melhor sala acústica para audições e performances em São Paulo”, diz Marques. “A audiofilia tira véus e assim aumenta o nível de compreensão e envolvimento emocional”, completa Garcez, que nesta conversa com CartaCapital fala sobre o lugar que, a exemplo da ave que lhe empresta o nome, “é brasileiro, belo, sensibiliza e encanta”.

Carta Capital: De que modo e com qual objetivo surge o Espaço Uirapuru?

Zé Garcez: O Espaço Uirapuru surge com o ideal de que a música tenha um significado maior na vida das pessoas. Tem muita gente ouvindo música, mas este ouvir fica apenas na superfície. Uma coisa muito rasa, porque dificilmente alguém para só para ouvir música.

Pelo YouTube, o timbre do violão de Paco de Lucia, por exemplo, é muito parecido com o de outros violonistas, tudo é muito empastelado, o som fica muito igual, mesmo tendo diferenças enormes. Perde-se muito do que foi gravado originalmente e do que realmente o artista quis passar. A música ocupa espaço na vida das pessoas, mas com muito pouca qualidade. Queremos mostrar que a música tem poder de deixar as pessoas mais sensíveis e humanizadas, em contato com sentimentos profundos.

CC: Você e Euclides Marques contaram com patrocínio? Há outros sócios?

ZG: Somos apenas nós dois neste momento, e eu entro como investidor também. Acredito neste espaço como um negócio sustentável e administramos como uma empresa, além de todo o ideal contido.

CC: Qual a proposta da casa?

ZG: Queremos unir no mesmo espaço o músico, aquele que faz música, o melômano, o que gosta de música, e o audiófilo, aquele que gosta dos equipamentos de reprodução musical de alta qualidade. Queremos que estas competências interajam e ajudem a ampliar o conhecimento musical e sensorial das pessoas.

CC: Qual o diferencial do Espaço Uirapuru?

ZG: Além de uma equipe de músicos e professores de alto nível, incluindo um dos maiores violonistas do Brasil, Luizinho 7 Cordas, o pianista Albano Sales, os violonistas Euclides Marques e eu, o clarinetista Fernando Oliveira e o saxofonista João Poleto, podemos dizer que somos um dos primeiros centros de ensino em São Paulo com grande preocupação em música brasileira. Fizemos uma pesquisa e percebemos o quanto somos carentes de partituras de choro e samba. Queremos passar todo este conhecimento aos alunos. Luizinho 7 Cordas, um dos primeiros instrumentistas preocupados em escrever partituras de composições brasileiras, possui mais de mil partituras para choro e samba.

Outro diferencial é o conhecimento musical teórico que passaremos a pessoas que não são musicistas, mas se interessam por cultura musical. Além disso, nosso projeto acústico é um dos melhores do País para uma pequena casa. Investimos em equipamentos de ponta para que as pessoas tenham condição de ter uma reprodução de um LP com grande qualidade. Costumamos dizer que seremos a ‘menor melhor’ sala para apresentações musicais.

CC: Como se define a audiofilia?

ZG: O conceito da audiofilia tem como objetivo proporcionar a audição de reprodução musical mais próxima possível do fenômeno musical acústico. Assim, o ouvinte passa a sentir e escutar os instrumentos, as diferenças e detalhes da gravação, reproduzida para soar como se fosse música ao vivo. A audiofilia tira véus e assim amplia o nível de compreensão e de envolvimento emocional com a música.

CC: A quem o Espaço Uirapuru se destina?

ZG: A qualquer pessoa que se interesse por música e queira participar de workshops temáticos e ouvir as reproduções musicais por meio de nosso acervo. A quem quer aprender a fazer música, nos mais variados instrumentos. A quem quer tocar em grupo, nas aulas de Prática de Conjunto em choro com Luizinho 7 Cordas. E, por fim, aos que se interessam por equipamentos de reprodução musical.

CC: Como é o acervo?

ZG: São mais de 3 mil LP’s nos mais variados estilos, em sua maioria edições raras e de ótima qualidade em estado impecável de conservação.

CC: Há algum espaço como este na cidade?

ZG: Certamente não. Que reúna todas estas características em um só lugar, somente o Uirapuru. “Como o pássaro que lhe dá nome, é brasileiro, belo, sensibiliza e encanta”.