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O lorde trôpego

por Calçada da Memória — publicado 06/09/2010 17h21, última modificação 06/09/2010 17h21
Um certo senso de inadequação sempre marcou a vida e a carreira de Peter O’Toole, que fez 78 anos no dia 2 de agosto

Um certo senso de inadequação sempre marcou a vida e a carreira de Peter O’Toole, que fez 78 anos no dia 2 de agosto. Talvez isso venha da infância, do colégio católico em que, canhoto, era obrigado a escrever com a mão direita.

Filho de uma enfermeira e um bookmaker de corridas de cavalo, O’Toole nasceu na Irlanda, mas foi criado na inglesa Leeds. Trabalhou como repórter num jornal e serviu na Marinha como transmissor de rádio. Graças a uma bolsa, cursou a Royal Academy of Dramatic Art, onde foi colega de Albert Finney e Alan Bates. Tornou-se um respeitado ator shakespeariano no Bristol Old Vic.

Atuou num par de filmes inexpressivos até estourar, em 1962, encarnando o Lawrence da Arábia, de David Lean, papel para o qual as primeiras opções eram Marlon Brando e Albert Finney.
A simbiose entre ator e personagem foi de tal ordem que hoje é impossível dissociar um do outro.

A partir daí, a carreira de O’Toole no cinema, no teatro e na tevê teve altos e baixos, condicionados por problemas com a saúde, com a bebida e com as mulheres.

Nas telas e nos palcos foi rei (só Henrique II ele encarnou duas vezes, em Becket e Leão no Inverno), ladrão, mendigo, cavaleiro andante, professor. Estrelou obras-primas e abacaxis (como Calígula).

Teve três filhos com duas mulheres. A primeira delas, a atriz Siân Phillips, acusou-o de crueldade psicológica agravada pelo álcool. O’Toole não negou.

Com seu passo trôpego, ele segue exibindo sua arte. Em 2006, recebeu sua oitava indicação ao Oscar pela comédia dramática Venus, de Roger Michel. Não será surpresa se vierem outras. Um dia ele ganha.

DVDs

Lawrence da Arábia (1962)

A trajetória do arqueólogo, militar, espião e escritor britânico T. E. Lawrence, que uniu os povos beduínos árabes contra o domínio otomano e acabou questionando o próprio Império Britânico. A beleza das cenas no deserto e a atuação de O’Toole fazem do filme de David Lean um dos grandes épicos da história do cinema.

Lord Jim (1965)

Versão de Richard Brooks do romance de Conrad, em que um orgulhoso capitão da Marinha Mercante, Jim Burke (O’Toole), cai em desgraça depois de abandonar um navio que levava peregrinos muçulmanos à Meca. Os temas recorrentes de Conrad, como a traição e a obsessão, conduzidos com segurança por Brooks e elenco de primeira.

A Classe Governante (1972)

Nesta comédia de Peter Medak, que valeu a Peter O’Toole uma indicação ao Oscar, ele é um desmiolado aristocrata inglês que, entre outras excentricidades, acredita ser Jesus Cristo. Quando seu pai morre, deixando-lhe de herança o título de conde e uma enorme fortuna, seus parentes tentam se livrar dele.