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O brilho musical, desde Beethoven

por Luis Krausz — publicado 23/03/2011 12h14, última modificação 25/03/2011 12h15
Historiador recorre à linha do tempo para explicar a idolatria a ícones da arte

Historiador recorre à linha do tempo para explicar a idolatria a ícones da arte

Aposição singular que ocupam os músicos nas sociedades de nosso tempo é o ponto de partida de O Triunfo da Música (Companhia das Letras, 429 págs., R$ 56), livro em que o estudioso de história cultural da Universidade de Cambridge Tim Blanning tenta explicar por que os grandes nomes do rock, rap, pop e outros gêneros são hoje capazes de levar as multidões ao frenesi e de arrecadar fortunas.

Blanning recua no tempo para buscar, no fim do século XVIII, as raízes desse fenômeno contemporâneo, pois é a partir desse momento histórico que os músicos começam a se transformar de funcionários pouco graduados das cortes de nobres e de reis, normalmente obrigados a comer na cozinha dos palácios com os demais serviçais, em celebridades internacionais autônomas e independentes. Assim, o autor traça um panorama da transformação da posição social dos músicos a partir da queda do Antigo Regime e escolhe Handel e Haydn como precursores de um movimento de libertação desses artistas, cuja culminação seria a idolatria devotada a artistas como Paganini
e Liszt, algumas décadas mais tarde, idolatria essa que seria análoga à fascinação provocada por nomes como John Coltrane ou Mick Jagger em nosso tempo.

Handel e Haydn viveram e compuseram num momento em que começava, na Europa, a demolição de tudo aquilo que permanecera ossificado e fossilizado pelos moldes inexoráveis das sociedades despóticas dos séculos XVII e XVIII. Poucos anos depois deles, seria Beethoven, inspirado pelos ventos libertários que sopravam da França pós-revolucionária, quem mudaria para sempre o status social da música e dos músicos. Sua Sinfonia Eroica, composta em 1803-1804, é um marco em sua trajetória como compositor tanto quanto na própria história da música europeia. Isso porque essa obra, que marca o início do romantismo na música, é também expressão de um novo tipo de relação entre indivíduo e sociedade, entre cânone musical e liberdade criativa.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 639, já nas bancas.