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Música do silêncio

por Pedro Alexandre Sanches — publicado 27/03/2011 10h20, última modificação 27/03/2011 10h20
Johnny Alf viveu e morreu de modo parecido ao de suas canções discretas, ao menos na superfície, serenas. Por Pedro Alexandre Sanches

JOHNNY ALF ENTRE AMIGOS

Lua Music

Johnny Alf (1929-2010) viveu e morreu de modo parecido ao de suas canções discretas, ao menos na superfície, serenas. O mesmo prumo segue a primeira homenagem póstuma ao artista. Johnny Alf Entre Amigos é uma caixa de três CDs que, superficialmente parecidos, diferem como divergiam umas das outras as canções sutis do artista.

O primeiro volume adota o formato de tributo, com várias das canções mais conhecidas inventadas por esse precursor da bossa nova em 60 anos de atividade. Rapaz de Bem e Eu e a Brisa foram entregues, respectivamente, a Toquinho e Leila Pinheiro, que aparam as próprias arestas para obedecer ao estilo quase calado de cantar de Alf. A esse pique rendem-se Wanderléa (Ilusão à Toa), Leny Andrade (O Que É Amar), Joyce (Fim-de-Semana em Eldorado), Emílio Santiago (Nós), Zé Renato (Céu e Mar). Em canções menos célebres, aparecem aparentados do homenageado na discrição, como Claudette Soares, Maricenne Costa, Claudya, Adyel Silva e Claudia Telles, num “quem é quem” da música silenciosa brasileira.

No volume 2, Alaíde Canta Johnny Alf em Tom de Canção, uma só intérprete investiga raridades do autor  evisceradas com melancolia e lamento. Nada há de casual na escolha de Alaíde. Ela e Johnny compuseram, por anos, a face masculina e a face feminina da desprezada vertente negra da bossa nova.

No terceiro volume ressurge o homenageado. Johnny Alf ao Vivo e à Vontade com Seus Convidados aborda a faceta de intérprete do artista para Dolores Duran, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Tom Jobim. Johnny canta com timidez, ora ladeado por Leny Andrade, Cauby Peixoto, Cida Moreira e Ed Motta, ora como sempre se moveu pelo mundo da música: sozinho.
– PEDRO ALEXANDRE SANCHES