Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Jazz, humano e íntimo

Cultura

CD

Jazz, humano e íntimo

por Ronaldo Evangelista — publicado 02/03/2011 16h48, última modificação 02/03/2011 16h49
A compositora e cantora Blubell adorável sem ser banal. Por Ronaldo Evangelista

Silêncios, solos de flauta, órgãos Hammond, guitarras invertidas, ritmos de estalar o dedo. Os sons que compõem o disco novo da cantora Blubell parecem existir como que suspensos em um tempo próprio. Perfeição harmônica, dinâmicas vivas e pop, onde isso não significa banal, mas adorável. Timbres orgânicos, arranjos fluidos e jazz, onde isso não significa deliberadamente complicado, mas a riqueza e liberdade dos sons, cada som.

A pequena figura de Blubell, discreta e elegante, de falar calmo e pronúncia exata, talvez sugerisse uma cantora contida, mas fala mais alto sua voz de forte expressão e impressionante emissão, íntima dos sons como um instrumento. Um certo virtuosismo sensível que casa à perfeição com a abordagem lírica do grupo que a acompanha, o quarteto À Deriva, de Daniel Muller ao piano, Rui Barossi no contrabaixo, o flautista e saxofonista Beto Sporleder, mais o baterista Guilherme Marques, somados do guitarrista André Bordinhon.
Autora de todas as faixas do álbum, as letras de Blubell são sugestivas e espertas, idílicas e românticas, mas mais que isso, humanas. Crônicas humoradas e bilíngues de uma vida simples e complicada, como a sua ou a minha, e absolutamente especial em cada pequena coisa. Baby do Brasil, ex-Consuelo, aparece para participar da canção 1, 2, 3, 5 e reforçar a sensação de familiaridade. Não à toa: Blubell namora o filho da Nova Baiana, Pedro Baby, que também participa em faixa a dois, Velvet Wonderland, declaração
de amor à intimidade.

EU SOU DO TEMPO EM QUE A GENTE SE TELEFONAVA
Blubell - ybmusic