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Já sabe o que vai assistir na Virada Cultural?

por Redação — publicado 16/05/2014 18h35, última modificação 17/05/2014 12h07
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Divulgação
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Valesca Popozuda vai se apresentar no Palco Arouche

Karina Buhr, cantora, compositora e blogueiro de CartaCapital

No dia 17 vou ver o Ira! no palco Julio Prestes. Achava a banda massa e tem Edgard voltando com aquela guitarra absurda. Às 21h faço o show tocando Secos e Molhados no Sesc Consolação. De lá sigo pro Teatro Municipal pra ver a maravilha que é O Romance do Pavão Mysteriozo, de Ednardo e depois tomo um banho rs. Em seguida faço outro show, destra vez às 4h, no palco Libero Badaró. No dia 18 vou ver também Nelson Sargento às 11h e Teresa Cristina às 13h. Às 15h vou ver Mercenárias no palco São João.

 

Nirlando Beirão, editor da seção QI de CartaCapital

Pretendo ver a instalação do Levante do Guerreiro-Coletivo NoiseTupi (vjpalm + vjdado frança), na hora do por do sol de sábado, na Luz, diante da Pinacoteca. No domingo, começo, como já faço periodicamente, com ou sem Virada, pela missa no Mosteiro de São Bento, com órgão e canto gregoriano, às 10h. E, para contrabalançar, quero investigar, às 4h da tarde de domingo, no Arouche (se a multidão ululante deixar), o fenômeno sociológico que atende pelo nome de Valesca Popozuda – o que é que a funkeira tem a contribuir com uma "Virada Cultural", além de sacolejar seu autoproclamado e promocional derrière.

 

André Maleronka, editor da Vice

Acho que o mais importante pra enfrentar a Virada com sucesso é o alto astral. Tô encantado que vão fazer o espetáculo comemorando o disco Hip Hop Cultura de Rua no Teatro Municipal. Serão duas sessões, então com algum empenho deve ser possível assistir. Posto isso, pretendo ver os artistas que considero mais inovadores: Juçara Marçal, Flora Matos, OGI, Don L, Metanol FM e Lydia Lunch. Se der, chego numas apresentações de funk também.


Tatiana Dias, editora do site SP Honesta

Todo ano eu penso que é roubada, mas todo ano eu acabo indo - e amando - a Virada Cultural. Neste, quero tentar conseguir ingresso pela primeira vez para as apresentações de discos clássicos no Municipal. Quero ver dois: Ednardo tocando O Romance do Pavão Mysteriozo e, logo em seguida, Fausto Fawcett tocando seu disco homônimo de 1987. Do lado de fora, o palco da Julio Prestes tem uma proposta parecida - mas, ali, a ideia é que artistas atuais revisitem os clássicos dos anos de 72 e 73 à sua maneira. Pode ser arriscado, mas pode soar muito bem. É o caso do Cidadão Instigado tocando Dark Side of the Moon do Pink Floyd - show maravilhoso para fãs do Cidadão, para floydianos e para quem não conhece nenhuma das duas bandas, mas quer ver uma apresentação impecável. Fora isso, quero experimentar as comidas de rua - tanto a dos chefs quanto as clássicas, como lanche de pernil e pastel, tudo #SPHonesta - e passear pelo centro ocupado, a coisa mais linda desse evento.

 

André Caramante, jornalista

O rap estará muito bem representado na Virada Cultural deste ano. Na praça Júlio Prestes, o lendário grupo RZO (Rapaziada da Zona Oeste) subirá ao palco ao meio-dia de domingo. Há vários anos, o RZO, que começou em 1992, estava parado. Helião, Sandrão e DJ Cia fizeram falta ao rap nacional. Outro momento que tem tudo para entrar em qualquer lista de "mais mais" sobre a Virada deste ano acontecerá às 14 de domingo, no Teatro Municipal, onde Thaíde & DJ Hum, pioneiros do rap no Brasil, estarão ao lado dos manos do Código 13, O Credo e MC Jack, também precursores da cultura hip hop no país. Na praça da República, Dexter e MV Bill mostrarão, às 8h de domingo, a conexão entre o rap produzido em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para fechar a Virada 2014, às 17h de domingo, KL Jay, DJ do Racionais MC's, comandará um exército de MC's no palco da avenida Cásper Líbero. Todos gravaram com KL Jay o álbum "Rotação 33: Fita Mixada".  Na noite de sábado, às 21h, a Ladeira da Memória será tomada pela emoção quando o poeta Sérgio Vaz, o Dom Quixote de La Perifa, e seus aliadas da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) recitarem seus versos. E quando a Virada deste ano acabar, espero voltar para a minha quebrada com a certeza de que a ideia dada por Mano Brown na Virada Cultural de 2013 esteja forte na mente dos meus irmãos das ruas: "O rap precisa de gente de caráter. Não de malandrão".

 


O grupo de rap RZO volta a fazer show depois de um período separado

 

Alê Youssef, apresentador do Navegador (Globonews)

O mais bacana da Virada é poder flanar pelos palcos livremente e viver a diversidade da cidade e a força que a arte carrega quando ela está na rua. O inesperado é sempre muito bem vindo, mas junto com ele esse ano quero apreciar a volta do Ira!, minha banda de rock preferida, relembrar do marco inicial do Rap Nacional que foi o disco Hip Hop cultura de rua (1988), com Thaíde & DJ Hum, Código 13, O Credo, MC Jack no Municipal. Quero ainda prestigiar Ana Botafogo, nossa maior bailarina e Luis Arrieta em O Cisne no palco de dança; reverenciar os mestres do samba Riachão, Monarco e Nelson Sargento na Luz. E também matar saudades do Studio SP, tanto com shows autorais no palco da Líbero, como das noitadas de versões no palco da Rio Branco, conhecer o trabalho solo da incrível Jussara Marçal. Por fim ainda quero matar a saudade do Xis, um dos melhores MCs do Brasil, e me acabar no Cabaré underground do Buraco da Lacraia Dance Show, melhor espetáculo carioca, pela primeira vez em SP.

 

Piero Locatelli, repórter de CartaCapital

Quero ver a Juçara Marçal, que abre o palco da Barão de Limeira. O disco do show, Encarnado, é maravilhoso. Mas a parada é tensa: todas as letras têm relação com a morte, e o som segue na mesma toada: a voz da Juçara é agressiva e abusa de escalas raras e a guitarra do Kiko Dinucci é suja e marcada. A falta de percussão e os vazios ainda ajudam a perceber quão sério é tudo isso. Vai ser uma paulada logo na chegada. Se tudo ficar muito anuviado depois desse show, o jeito será voltar para casa, dormir bem e aparecer no outro dia para ver a Céu tocando o Catch a Fire na íntegra. Boa onda garantida. Agora, se aguentar virar a noite, o esquema vai ser chegar no Ndee Naldinho no palco da Casper Líbero, às três, e só cair fora depois que o Don L rimar, às 9h40.


Eduardo Nunomura, editor do blog Farofafá

Os curadores da 10ª edição da Virada Cultural são uns sacanas. Já tinha prometido que a minha próxima virada seria feita de forma mais tranquila, sem atropelos. Sim, é hora de deixar de lado o show do Ira!... O quê? Ira!, o retorno da banda da minha adolescência, desta vez num palco grande (Nasi e Edgard Scandurra, a bem da verdade, já tocaram juntos, e FAROFAFÁ registrou esse dia histórico)? Não, impossível. Ok, um na lista. E se eu levasse um banquinho e não arredasse pé do palco Julio Prestes, considerado o principal do evento? Parece uma ótima ideia, Baby do Brasil, Teatro Mágico, uma homenagem ao Jair Rodrigues, Vanessa da Mata, Luiz Melodia, RZO, Pepeu Gomes, e, oh, céus, Martha & Vandellas. Como assim? Vai ter Gang do Eletro, no Largo do Arouche? É pertinho, dá para levar o banquinho. No Teatro Municipal, shows revisitam discos antológicos, como Ednardo e "O Romance do Pavão Mysterioso" (1974)? Não, impossível perder esse. Uma concessão a mais... Espera, vai ter "A Bossa Negra", disco de 1961 de Elza Soares. Não, outro imperdível. Bota na lista. Eita, na República, de madrugada, vai ter Fernanda Abreu. Rio 40 Graus... Na Libero Badaró, Guilherme Arantes e toda a novíssima geração da MPB pisando o mesmo palco. Não é justo, não é direito. Na Rio Branco, artistas igualmente novos interpretam discos históricos. Lucas Santanna vai de Gita, do (toca!) Raul Seixas, enquanto Felipe Cordeiro engata um Expresso 2222, de Gilberto Gil. Isso é sacanagem, pura. Meo deos, no espaço do samba, Riachão, Monarco, Nelson Sargento, Almir Guineto, Originais do Samba homenageando Mussum... Vai ter circo, vai ter teatro, vai ter dança. Vai ter Viradinha. Vou fugir do funk, estouradão no país, para os curadores aprenderem que não é justo programar tanta coisa boa em 24 horas. Vou deixar a vida me levar, como diria Zeca Pagodinho. Não, não, não. Não estou sugerindo mais este nome, nem pensem nisso.


A banda Ira! também se reúne após sete anos da separação do grupo

Jonaya de Castro, pesquisadora de arte, tecnologia e política

O "Mapa de Público" convida o público para interagir com dados abertos e misturar arte e tecnologia em um telão de led no Vale do Anhangabaú, durante a Virada. É um das poucas intervenções de artes visuais, ampliando o rolê musical que normalmente compõe a Virada. O labExperimental, grupo de intervenção criativa, desenvolveu um app para possibilitar a construção desse mapa coletivo. Para participar, basta baixar o aplicativo gratuito "Mapa de Público" na Applestore ou na Googleplay, ou encontrar um dos 50 monitores que estarão circulando pela Virada e coletando os dados. A interação é como um GPS Art: marca de onde vem, faz checkin em alguns pontos da Virada e mostra  as imagens do fluxo por celular ou no telão do Anhangabaú. Os dados serão abertos e depois da Virada qualquer pessoa poderá visualizar ou produzir visualizações!

 

Camilo Rocha, DJ e editor do caderno Link do Estadão

Este ano ficarei na Viradinha Cultural, onde ajudo a fazer a Pistinha - Balada Bebê. Eu e o DJ Fernão vamos rolar grooves bacanas para toda a família por lá, das 14h às 18h.

 

Lino Bocchini, editor de mídia online de CartaCapital

Sempre saio da Virada feliz e pensando como o Centro poderia ser um lugar muito mais bacana e melhor ocupado durante o ano todo... isso pra mim é sem dúvida o principal da festa. Mas vamos à programação: o palco do Arouche é sempre o mais divertido da Virada. E desta vez, com Rosana (“Como uma Deusa....”) e Valesca Popozuda (a filósofa mais pop do Brasil) não deve ser diferente. A fauna maravilhosa do Arouche gritando, rindo e rebolando ao som de Beijinho no Ombro já é uma cena clássica antes mesmo de acontecer.

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