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Filho de Plínio Marcos dirige clássico do pai

por Redação Carta Capital — publicado 21/04/2011 12h52, última modificação 21/04/2011 12h54
Peça "Quando as máquinas param" é encenada pela Cia. Um Brasil de Teatro, em São Paulo, com direção de Leo Lama, filho do dramaturgo

Foi em 1971 que Plínio Marcos, dramaturgo brasileiro, escreveu a peça “Quando as máquinas param”. O texto fala sobre um casal em dificuldades financeiras: o marido desempregado e a mulher tendo que se tornar provedora. A situação piora quando ela engravida.

“Ninguém tem direito de pedir a um artista que não seja subversivo”, dizia ele. E, enquanto se virava para atravessar os anos da ditadura, seus filhos cresciam marcados pelo talento, pelas ideias, pelo teatro de seu pai. “Quando as máquinas param” foi o texto mais encenado de Plínio Marcos, que morreu em 1999.

Seu filho, Leo Lama, seguiu a profissão do pai. Desde o dia15, apresenta, no teatro Zanoni Ferrite, em São Paulo, sua montagem do clássico, com olhar atual, mas não menos crítico. “Infelizmente, ainda há desemprego, ainda há homens encurralados pelo sistema econômico, medos e inseguranças que nos assolam na sociedade”, afirma Lama.

Em sua versão, marido e mulher conversam estáticos. "Hoje em dia, a virtualidade toma conta de tudo. O ser humano fica parado e as máquinas trabalham. A adaptação é uma crítica a isso", diz Lama. Apesar da influência inegável de Plínio, para Lama, dirigir um texto de seu pai exige tanta responsabilidade quanto a de se trabalhar com qualquer grande ator brasileiro. “O que se deve fazer é não estragar o texto querendo aparecer mais do que a história proposta pelo autor”, explica.

O espetáculo é encenado pela Cia. Um Brasil de Teatro e fica em cartaz até o dia 22 de maio. “Faço teatro em favor do povo, para incomodar os que estão sossegados. Só pra isso faço teatro”, dizia Plínio Marcos. Razão de ser que o impediu de enriquecer, que o fez marginal. Ideal compreendido por Lama entre seus desejos infantis de brinquedos e roupas, mas intrínseco também ao seu trabalho. Lama quer ser essencial, como o pai. “Me deixa desabafar, pai, só hoje, me deixa te falar sobre o sonho dessa gente, você sabe, essa gente, os “homens-pregos”, fixos no mesmo lugar”(depoimento extraído do blog de Leo Lama).

Serviço:
Local: Teatro Zanoni Ferrite - Av. Renata, 163, Vila Formosa
Data: de 15/4 a 22/5
Horário: sexta e sábado, 20h e domingo, 19h.
Ingresso: R$ 10
Para mais informações, clique aqui.