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Esporte cidadão

por Socrates — publicado 02/11/2010 09h57, última modificação 02/11/2010 09h57
Doenças crônicas como diabetes podem ser controladas apenas com dose semanal de atividade do corpo. E as práticas esportivas potencializam o aprendizado

Doenças crônicas como diabetes podem ser controladas apenas com dose semanal de atividade do corpo. E as práticas esportivas
potencializam o aprendizado

Toda a movimentação em torno dos dois presidenciáveis tem gerado, como era de se esperar, uma gama de especulações. Afirmações sobre alguns pontos de cada programa de governo (quando dis­cutidos) sempre provocam a reação dos eleitores. Fala-se muito de economia, desenvolvimento e programas sociais. Alguns com conhecimento de causa, outros nem tanto. O final da guerra se avizinha.

O grande adversário de algumas posturas se prepara para entrar em campo. É cedo para definições, mas uma coisa tem me chamado a atenção de forma clara: os dois candidatos a nosso máximo representante tratam a atividade física e o esporte como coisa menor. Pelo menos é isso que depreendemos do que foi colocado até aqui.

E isso não é novidade alguma, pois jamais em tempo algum essa área foi contemplada com a atenção merecida. Os orçamentos municipal, estadual ou federal nesse segmento – quando há um órgão de primeiro escalão – nunca ultrapassaram o limite de pagamento da folha na qual descansam os nomes de alguns poucos funcionários, a maioria em funções administrativas. Nada para investimento em programas de massificação e educação esportiva. Até se inventam alguns programas, mas poucos resultados percebemos.

Caso o Serra, que se gaba de sua passagem pelo Ministério da Saúde, tivesse se preocupado em entender o quanto uma ação firme e interessada no estímulo a essa prática diminui o custo na saúde pública, teria embasamento suficiente para defender uma série de medidas importantes capazes de provocar uma verdadeira revolução em nosso debilitado sistema de saúde.

Doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial, por exemplo, muitas vezes podem ser controladas apenas com uma dose semanal de atividades do corpo. São patologias que matam não só os cidadãos, mas principalmente a frágil saúde financeira do SUS, que não deveriam ser vistas como apenas duas das tantas endemias que possuímos e que só recebem cuidados quando se perde o controle.

Caso a Dilma, tão preocupada com a educação de nosso povo, atentasse para a importância das práticas desportivas na formação moral, intelectual e física de todos nós, ela não estaria se limitando a poucas e superficiais citações acerca do tema. Não se esqueceria de que uma ação que pulverizasse esse tipo de comportamento em todas as nossas escolas potencializaria a capacidade de aprendizado.

Não basta construir equipamentos esportivos. Temos de investir em recursos humanos para viabilizar a conquista dos objetivos e tratá-los como merecem. Garanto que construiríamos uma poupança de conhecimento e informação que muito nos serviria no futuro.

Se o Serra tivesse se dado conta de que esse é um tema da maior importância para uma campanha eleitoral, ele não teria abdicado de discutir com a sociedade organizada essa questão. Até porque o nosso povo entende mais de esporte do que de política e que, se bem divulgado, esse tema até poderia servir de parâmetro para a escolha e definição de milhares de votos.

Dilma diz que fez muito pelo estado na Casa Civil do governo que ora se encerra. E no esporte, o que foi feito? Só o esporte de alto rendimento e profissional foi contemplado com alguma coisa; logo ele que não deveria ser prioridade. Além disso, foi tudo feito para ser perdido em muito pouco tempo.

Espera-se que a lei de incentivo fiscal atenda a todas as questões pertinentes. Na verdade, uma lei desse tipo em geral passa ao largo dos interesses do Estado e da nação. Algo que a Petrobras percebeu, decidindo alterar a sua rota ao lançar o programa Esporte e Cidadania. Talvez para mostrar a todos e aos candidatos a presidente os caminhos a seguir.

Nos anos anteriores sua cota da lei de incentivo foi parar nas mãos do COB. Cadê o resultado? Decidiu então elaborar ela mesma o seu programa que vai ao âmago da questão. Atacando o mal pela raiz, ainda que com limitados recursos, a estatal nos mostra como devemos agir.

É necessário que todos, principalmente os candidatos a presidente e os legisladores, se abram para a discussão mesmo que pouco ou nada entendam do assunto. Não podemos mais prescindir de cuidados em uma área tão importante. Passem do discurso à ação, acabem com a miséria, com o desemprego e tudo mais, e promovam a democracia de verdade. Mas não se esqueçam dessa ferramenta tão importante para a formação e saúde da nação. Entendam de uma vez por todas o quanto o esporte – não só o de competição, mas principalmente o educacional – é fundamental.