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É tudo memória

por Orlando Margarido — publicado 12/12/2010 15h26, última modificação 12/12/2010 15h26
Filme que esteve na disputa da mostra brasiliente no ano passado, A falta que me faz, de Marília Rocha estreia em São Paulo

A diretora Marília Rocha integra a produtora mineira Teia, núcleo de realização e pesquisa audiovisual formado por mais cinco profissionais que mantêm parcerias com grupos similares pelo País, a exemplo do cearense Alumbramento. Um dos componentes da turma de Belo Horizonte é Sérgio Borges, vencedor do recém-encerrado 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com o filme O Céu Sobre os Ombros. Marília esteve na disputa da mostra brasiliense no ano passado com A Falta Que me Faz, agora em cartaz em São Paulo, depois da estreia em Salvador e na capital mineira.  Trata-se de um lançamento em conjunto com outro título da realizadora, o longa-metragem anterior Acácio. São ambos documentários, o que permite um olhar esclarecedor dos interesses da jovem e de seus colegas, neste caso mais pelas diferenças do que similaridades.
Enquanto o trabalho de Borges permeia aquela fronteira tão em debate atualmente entre realidade e ficção, A Falta Que me Faz assume-se como projeto de investigação de um universo humano. E qual é ele?
Um quarteto de garotas da pequena Curralinho, próximo a Diamantina, visto na transição para a vida adulta e as ambições, contradições e angústias que o processo encerra. Neste caso, agravado pela perspectiva limitada do lugar. Marília descobriu-as ao pensar um trabalho documental sobre as coletoras de flores. Deu-se conta da complexidade muito maior do cotidiano das moças, que passa por conflitos como amor ou a gravidez precoce. Sua câmera se posiciona quase invisível na primeira parte, para depois propor algumas questões, num resultado irregular que não chega a ferir a intimidade com os personagens, num esforço temperado pelas belas (e significativas) paisagens locais.
É um pressuposto diferente de Acácio, no qual a diretora se manifesta em voz off e interfere diretamente na relação com seu personagem, o fotógrafo e artista português Acácio Videira, aqui radicado. Junto com a mulher, ele relembra sua passagem por Angola, onde registrou a tradição negra de uma tribo. Isso numa apreensão próxima. À distância, revela-se um filme sobre a memória, como um dia também será a visão sobre as meninas.